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A Petrobras, por meio de sua presidente Magda Chambriard, reafirmou nesta terça-feira (12), no Rio de Janeiro, seu compromisso em evitar alterações abruptas nos preços de combustíveis no Brasil. A estratégia da estatal foca no aumento da produção para assegurar a segurança energética nacional, mesmo diante da escalada do valor do petróleo no cenário internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.
Magda Chambriard enfatizou que a empresa tem intensificado seus esforços para elevar a produção de derivados de petróleo no mercado interno. Essa iniciativa tornou-se ainda mais crucial a partir de março, em resposta ao cenário de guerra que envolve o Irã.
Durante uma coletiva de imprensa sobre o balanço financeiro da companhia, a presidente reiterou que "mudanças abruptas estão fora da nossa intenção de repasse" aos consumidores.
O contexto global de instabilidade teve início em 28 de fevereiro, com ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A região, vital para a economia global, é um polo de países produtores de petróleo e abriga o Estreito de Ormuz.
Este estreito, uma passagem marítima estratégica no sul do Irã, sofreu bloqueios que impactaram diretamente a cadeia logística global. Antes do conflito, aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás natural transitava por ali.
A turbulência na oferta de óleo cru e seus derivados resultou em uma significativa escalada dos preços internacionais. O barril do Brent, referência global, disparou de US$ 70 para mais de US$ 100, chegando a picos de cerca de US$ 120.
Como o petróleo é uma commodity negociada em mercados internacionais, seu encarecimento é inevitavelmente sentido no Brasil, apesar de o país ser um produtor relevante.
Para mitigar o impacto dessa alta no mercado interno, o governo federal implementou medidas como a isenção de tributos federais sobre os combustíveis e a concessão de subvenções econômicas a produtores e distribuidores.
Estratégia para gasolina e etanol
Desde o início do conflito, a Petrobras realizou reajustes nos preços do óleo diesel, essencial para caminhões e ônibus, e do querosene de aviação (QAV).
Contudo, a gasolina não teve seu preço alterado. Ao ser questionada sobre um possível aumento para alinhar-se à valorização internacional, a presidente destacou que a empresa monitora não apenas os preços, mas também sua participação de mercado (market share) e a concorrência com o etanol.
Magda Chambriard explicou que a "competição com o etanol, que em quinze dias caiu de preço", é um fator relevante. Ela lembrou que a frota flex brasileira permite ao motorista escolher o combustível mais vantajoso no momento do abastecimento.
A presidente ainda complementou que a produção interna de gasolina pela companhia é suficiente para atender à demanda brasileira, mesmo com o país atuando tanto na importação quanto na exportação do combustível.
Angelica Laureano, diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, esclareceu que a decisão sobre um eventual aumento no preço da gasolina não está atrelada à aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026. Este PLP, em tramitação no Senado, visa zerar as alíquotas de PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis para mitigar a alta de preços.
"Se a empresa avaliar que está persistentemente com o preço que não atende às nossas expectativas, a gente vai aumentar", declarou Laureano. Ela acrescentou que o PLP "talvez, venha para nos ajudar a não repassar isso ao mercado".
A diretora assegurou que, no momento, o preço praticado pela companhia "está equilibrado".
Desempenho operacional em destaque
A presidente da Petrobras ressaltou o notável desempenho operacional da empresa, que alcançou um recorde na produção de óleo e gás. No primeiro trimestre, esse volume foi 16,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Segundo Chambriard, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias superou os 100%, marcando o maior índice desde dezembro de 2014.
O FUT é um indicador que mede o patamar de produção das refinarias. A Petrobras esclarece que, embora existam capacidades máximas de projeto, é possível operar acima delas com a devida autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o órgão regulador federal do setor.
A companhia também informou que tem investido na confiabilidade de suas estruturas e que o ano de 2026 prevê um baixo volume de manutenções programadas (paradas).
Resultados financeiros e perspectivas
A Petrobras anunciou um lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Esse valor representa um aumento de 110%, mais que o dobro dos R$ 15,6 bilhões registrados no último trimestre de 2025.
Contudo, em comparação com o mesmo período do ano anterior (R$ 35,2 bilhões), o resultado aponta uma leve retração de 7,2%.
Magda Chambriard explicou que essa diferença negativa é atribuída ao efeito cambial, destacando que, se calculado em dólar, o lucro da empresa teria apresentado uma pequena alta.
"Temos efeito câmbio que não tem efeito no caixa da companhia", afirmou a presidente.
O balanço financeiro da Petrobras também revelou que os investimentos da companhia somaram R$ 26,8 bilhões, um crescimento de 25,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A dívida da companhia atingiu US$ 71,2 bilhões (equivalente a R$ 350 bilhões) no trimestre, um aumento de 10,8% na comparação anual. No entanto, esse valor permanece dentro do limite estabelecido no plano de negócios 2026-2030, que prevê um teto de US$ 75 bilhões.
O custo médio do barril de petróleo tipo Brent, referência internacional de preço, foi de US$ 80,61, representando um aumento de 26,6% em comparação com o último trimestre de 2025.
De acordo com o comunicado da companhia, o recente aumento nos preços do petróleo e o recorde de produção não impactaram diretamente as receitas do primeiro trimestre.
Isso se deve, em parte, ao modelo de precificação no mercado asiático, principal destino das exportações brasileiras. Nesse mercado, as cotações são geralmente baseadas nos valores do mês anterior à chegada da carga.
Assim, a elevação dos preços do petróleo, observada após o início do conflito no Oriente Médio, deverá ser refletida nas exportações do segundo trimestre, conforme finaliza o comunicado aos investidores.