O padre Luciano Braga Simplício, que ganhou repercussão nacional após ser flagrado com a noiva de um fiel em uma casa paroquial de Nova Maringá (MT), entrou na Justiça contra as três maiores emissoras de televisão do país. Ele move ações contra Globo, Record e SBT, alegando que a cobertura do caso teria provocado um “linchamento virtual” e causado prejuízos à sua vida pessoal e religiosa.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o sacerdote pede indenização de R$ 300 mil por danos morais, além da retirada de conteúdos relacionados ao episódio das plataformas digitais. As emissoras, procuradas, informaram que não comentam processos em andamento.

Na ação, a defesa do padre afirma que a exposição do caso comprometeu sua rotina e dificultou o exercício de suas atividades religiosas. De acordo com os advogados, ele passou a ser alvo constante de ataques nas redes sociais e também enfrentou constrangimentos na cidade onde vive.

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“Ele passou a ter uma vida ruim com a exposição em massa de um mal-entendido”, diz a defesa no processo.

O caso já havia sido alvo de decisão liminar da 2ª Vara de São José de Rio Claro (MT), que determinou que Globo, Record e SBT retirassem das redes sociais vídeos relacionados ao episódio e evitassem novas publicações sobre o tema.

A Globo recorreu da decisão, alegando que a medida configuraria censura prévia e violaria a liberdade de imprensa. O recurso foi acolhido pelo desembargador Ricardo Gomes de Almeida, da 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), que revogou a liminar em relação à emissora. O processo ainda não teve decisão definitiva.

O episódio ocorreu em outubro de 2025 e ganhou ampla repercussão após a divulgação de um vídeo que mostrava o padre e a noiva de um fiel dentro da residência paroquial. O conteúdo rapidamente se espalhou pelas redes sociais e passou a ser alvo de intensa discussão pública.

Na ocasião, também foram divulgados áudios atribuídos ao religioso, nos quais ele negava envolvimento com a mulher e apresentava sua versão dos fatos. Segundo Luciano, a jovem teria pedido autorização para utilizar um quarto anexo à casa paroquial para tomar banho após atividades na igreja.

“Ela brincou: ‘Padre, eu vou dormir ali’, e eu disse que lá fora não tinha problema. Ela estava sozinha e o menino [noivo] tinha viajado”, afirmou.

O padre relatou ainda que, no momento em que saiu do banho, foi surpreendido por pessoas na porta da casa paroquial. “Ela já estava dentro da casa, assustada. Não teve nada com ela”, declarou.

Após a repercussão, a Diocese de Diamantino abriu investigação e instaurou procedimento canônico para apurar a conduta do sacerdote. Em nota, a instituição afirmou ter adotado “todas as medidas canônicas previstas”, com o objetivo de preservar a Igreja e a comunidade.

FONTE/CRÉDITOS: FOLHA DO ESTADO