Um relatório divulgado pela organização Human Rights Watch revelou falhas graves na condução e investigação da Operação Contenção, ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro que completou um ano com 122 mortes registradas nos complexos da Penha e do Alemão.
A ofensiva resultou no óbito de cinco agentes de segurança e 117 civis. Até o momento, apenas os inquéritos referentes aos policiais foram concluídos pelo estado.
Para produzir o documento, a ONG analisou cerca de nove mil páginas de procedimentos criminais, laudos de necropsia e milhares de horas de imagens de câmeras corporais.
Perícia ausente e corpos expostos
Segundo a investigação independente, equipes periciais da Polícia Civil jamais foram enviadas aos locais onde as mortes ocorreram durante a incursão na zona norte.
Diversos corpos foram removidos sem o devido rigor técnico, ficando expostos à temperatura ambiente por horas. Isso gerou rápida decomposição e prejudicou diretamente o trabalho dos legistas no Instituto Médico Legal.
Manipulação de câmeras e indícios
O relatório também apontou que agentes públicos interferiram nas gravações de suas câmeras corporais em momentos cruciais, como trocas de tiros e prisões.
Nenhuma das 117 mortes de não policiais foi filmada integralmente pelos equipamentos regulamentares.
Além disso, o levantamento destacou que 60% das vítimas civis foram atingidas por quatro ou mais disparos, levantando questionamentos adicionais sobre a dinâmica dos confrontos.
A Secretaria de Segurança Pública informou que as apurações sobre os óbitos civis continuam em andamento na Delegacia de Homicídios da Capital, com acompanhamento do Ministério Público.