O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou nesta terça-feira (12) uma proposta para a regulamentação da inteligência artificial (IA) que prioriza a flexibilidade e a classificação das aplicações tecnológicas por níveis de risco. Em entrevista à TV Brasil, Durigan destacou a intenção do governo em estabelecer regras adaptáveis que acompanhem a evolução acelerada da IA, evitando a necessidade de atualizações legislativas constantes.

Durigan ressaltou que a inteligência artificial marca uma nova era na transformação digital global, defendendo a aplicação de princípios de boa convivência também no ambiente online. A declaração foi feita durante o programa Na Mesa com Datena, apresentado por José Luiz Datena.

O debate sobre o marco regulatório da IA está em andamento no Congresso Nacional, com articulações entre o Poder Executivo e parlamentares. O ministro informou que o deputado Agnaldo Ribeiro (PP-PB), relator do projeto na Câmara, demonstrou apoio ao modelo sugerido pelo governo.

Leia Também:

Matriz de risco para IA

A proposta central do governo, conforme explicou Durigan, é a implementação de uma matriz de risco para categorizar os diversos tipos de inteligência artificial. O objetivo é classificar as aplicações com base em seu potencial de impacto e periculosidade.

Este sistema visa substituir legislações rígidas por uma abordagem dinâmica que avalie o grau de sensibilidade e o risco inerente a cada tecnologia de IA.

Conforme o ministro, aplicações de IA consideradas de alto risco, como aquelas relacionadas à genética humana ou reconhecimento de identidade, exigirão maiores níveis de transparência, controle e conformidade.

IA sensível e proteção de direitos

Tecnologias de IA classificadas como sensíveis demandarão mecanismos de fiscalização e responsabilização mais rigorosos. O governo também pretende estabelecer limites éticos claros para o uso dessas ferramentas, especialmente em questões que afetam a privacidade e os direitos fundamentais dos cidadãos.

Por outro lado, aplicações de IA voltadas para entretenimento, jogos e outras funções lúdicas serão enquadradas em categorias de menor risco.

Nesses casos, a intenção é simplificar a burocracia para não inibir a inovação e o desenvolvimento tecnológico, buscando um equilíbrio entre a proteção social e o estímulo à criatividade.

Alfabetização digital como pilar

Durigan enfatizou a importância da alfabetização digital como ferramenta essencial para a proteção dos cidadãos no ambiente virtual. Ele argumentou que a educação tecnológica, combinada com regulamentações eficazes, é crucial para prevenir abusos e resguardar grupos vulneráveis.

O ministro comparou a necessidade de orientação no mundo físico com a do ambiente digital, destacando que, assim como na vida real, a educação é fundamental, mas regras claras e atualizadas são indispensáveis para a segurança online. A discussão sobre a implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital no Brasil foi mencionada nesse contexto.

Adaptação regulatória e experiência prévia

A natureza dinâmica das mudanças tecnológicas, segundo Durigan, exige um modelo regulatório ágil e adaptável. Ele ressaltou que a sociedade está cada vez mais imersa no ambiente digital, demandando que as regras acompanhem essa migração.

Durigan, que atuou em áreas de conformidade institucional no WhatsApp e na Meta antes de ingressar no Ministério da Fazenda em 2023, trouxe sua experiência para a discussão. Ele apontou a dificuldade do Congresso em aprovar novas leis para cada avanço tecnológico.

Por isso, a proposta governamental se concentra na definição de princípios gerais e mecanismos flexíveis que permitam uma adaptação contínua à evolução da inteligência artificial.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil