O avanço do superendividamento atingiu a marca de 20,3 milhões de brasileiros em junho de 2026, revelando uma alta de 75% em cinco anos, conforme divulgado pelo Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC).
Esse contingente já responde por 17% de todos os tomadores do Sistema Financeiro Nacional. Diante desse cenário alarmante, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sinalizou que novas regras serão anunciadas em breve para frear propostas abusivas.
Principais números do estudo:
- 20,3 milhões: brasileiros em situação de endividamento de risco;
- 75%: crescimento do grupo entre junho de 2021 e junho de 2026;
- 17%: participação desses devedores no sistema financeiro;
- 42%: comprometimento da renda com dívidas para quem ganha até dois salários mínimos;
- 15%: parcela da renda dessa faixa comprometida especificamente com o cartão de crédito;
- 18,6%: comprometimento total da renda entre quem recebe acima de dez salários mínimos.
Ações do Banco Central
Segundo Galípolo, as próximas iniciativas do órgão regulador devem focar em consumidores que já recorrem ao crédito rotativo ou acumulam atrasos significativos.
“Pretendemos adicionar medidas ainda este ano”, declarou o presidente da instituição, enfatizando a apreensão com cidadãos que enfrentam juros altos e forte pressão financeira.
O dirigente também chamou atenção para a expansão do crédito sem garantia, a exemplo do cheque especial e empréstimo pessoal, que continuam crescendo apesar do patamar elevado da taxa básica de juros.
Quem integra o grupo de risco
Para mapear esse público vulnerável, o Banco Central adota quatro critérios distintos, sendo necessário cumprir pelo menos dois deles:
- Atraso superior a 90 dias em parcelas de empréstimos;
- Comprometimento de mais de 50% dos ganhos mensais com dívidas;
- Uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal livre e rotativo;
- Renda remanescente abaixo da linha de pobreza após quitar os débitos.
A classificação não significa inadimplência generalizada, mas aponta um sinal amarelo para a estabilidade financeira das famílias.
Novas regras para o crédito
Recentemente, a autoridade monetária divulgou normas para limitar propagandas agressivas e dar mais clareza na contratação de empréstimos.
As instituições financeiras precisarão disponibilizar ferramentas para bloquear ofertas ativas. Para o público em situação de vulnerabilidade, novas contratações dependerão de consentimento prévio e focarão apenas em renegociações.
O bloqueio de publicidade passa a valer em 31 de março de 2027, enquanto outras restrições entram em vigor a partir de julho do mesmo ano.