A internet móvel livre durante o período eleitoral pode gerar picos intensos de tráfego e derrubar a conectividade de celulares perto de zonas de votação. O alerta foi enviado pela Agência Nacional de Telecomunicações ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal.
Na última quinta-feira, Zanin exigiu um posicionamento da agência em 48 horas. A demanda partiu do Partido Verde e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, que pediram acesso livre à rede nas 72 horas antes e 24 horas depois dos turnos.
O grupo argumenta que o fim das franquias pré-pagas prejudica os mais pobres no acesso à informação. Sem créditos, restam apenas aplicativos patrocinados, o que facilitaria a disseminação de boatos por falta de checagem em fontes confiáveis.
Contudo, a Anatel rebateu a tese ao afirmar que o combate a notícias falsas depende de fatores sociais e regulatórios distantes da conectividade móvel.
Riscos técnicos
Estudo do órgão em 2025 revelou que 70% dos usuários pré-pagos recorrem a redes wifi fixas para economizar dados. Diferente das redes por cabo, as conexões sem fio dependem de espectro eletromagnético limitado.
Portanto, liberar o tráfego em datas críticas causaria consumo exponencial, sobrecarregando as torres. O resultado seria um colapso que prejudicaria a comunicação dos cidadãos em um momento vital para a democracia.
A agência ainda destacou que a medida invadiria sua competência regulatória exclusiva. Antes de qualquer decisão provisória, o ministro Cristiano Zanin aguarda o parecer da Procuradoria-Geral da República.
Calendário
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, quando eleitores escolherão presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais.
Se houver necessidade de segundo turno para cargos executivos sem maioria absoluta, a nova votação ocorrerá em 25 de outubro.