Um dado demográfico e eleitoral tem chamado a atenção de especialistas e moradores em Mato Grosso. Ao cruzar as informações oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com os cadastros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela-se um cenário curioso: em alguns municípios, o número de pessoas aptas a votar é consideravelmente maior do que a população residente.

O fenômeno é mais evidente em municípios de menor porte. Nossa Senhora do Livramento, por exemplo, ilustra perfeitamente essa discrepância. A cidade possui uma população estimada em 11.659 habitantes pelo IBGE. No entanto, o cadastro eleitoral do TSE contabiliza 13.539 eleitores aptos. Isso representa uma diferença surpreendente de 1.880 pessoas a mais com poder de voto do que moradores locais.

A situação é ainda mais expressiva na cidade de Acorizal. O município abriga apenas 4.907 residentes oficiais, mas seu eleitorado registrado bate a marca de 7.351 pessoas. Na prática, são 2.444 eleitores a mais do que habitantes. Essa margem evidencia uma forte desconexão entre a moradia física diária e o vínculo político-administrativo que os cidadãos mantêm com a região.

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Esse cenário também se repete em outras localidades mato-grossenses, embora com margens um pouco menores. Santo Antônio de Leverger registra 16.882 habitantes contra 17.143 eleitores, uma diferença de 261 pessoas. Já o município de Jangada apresenta 7.380 moradores e um eleitorado de 7.473 pessoas, resultando em um superávit de 93 cidadãos no cadastro do tribunal eleitoral frente ao censo demográfico.

Mas o que explica essa matemática que parece não fechar?

A resposta está na legislação brasileira e nos diferentes critérios adotados pelos órgãos. Para o IBGE, o que conta é o domicílio físico, ou seja, onde a pessoa dorme e vive a maior parte da semana. É uma contagem estritamente territorial para a formulação de estatísticas, políticas públicas e repasses de verbas.

Já para a Justiça Eleitoral, o conceito de domicílio é muito mais amplo e flexível. O TSE permite que o cidadão registre seu título em cidades onde possua vínculos afetivos, familiares, patrimoniais ou profissionais. Muitas pessoas nascem nessas pequenas cidades, mudam-se para grandes centros em busca de trabalho ou estudo, mas fazem questão de manter o voto na sua terra natal.

Esse comportamento tem um impacto direto e profundo nas campanhas eleitorais municipais. Os candidatos não podem focar suas estratégias apenas em quem caminha pelas ruas da cidade diariamente.

Uma parcela decisiva dos votos precisa ser conquistada fora dos limites geográficos do município, exigindo um esforço de comunicação direcionado àqueles que retornam apenas no dia do pleito para exercer a cidadania.

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FONTE/CRÉDITOS: DA REDAÇÃO