O Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (16) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelou uma redução significativa nos casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em grande parte do território nacional, afetando principalmente crianças de até dois anos. Este vírus é reconhecido como um dos principais agentes causadores da bronquiolite em lactentes, e sua diminuição contribui para a queda nas hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nessa faixa etária.

A análise laboratorial, estratificada por faixa etária, aponta que a diminuição das hospitalizações por VSR é o fator preponderante para a queda dos casos de SRAG entre crianças com até quatro anos em diversas regiões do Brasil. Contudo, a incidência do vírus persiste em patamares elevados em certas unidades federativas.

Atualmente, cinco das 27 unidades da Federação permanecem em estado de alerta, risco ou alto risco devido à incidência de SRAG, indicando uma tendência de crescimento a longo prazo. Os estados em questão são Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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Para as faixas etárias de jovens, adultos e idosos, a redução observada nas hospitalizações é primariamente atribuída à menor circulação de influenza A. Já entre crianças de 5 a 14 anos, a diminuição dos casos graves está ligada, sobretudo, à queda das infecções por rinovírus.

O InfoGripe reforça a importância de se manterem as medidas de higiene respiratória. Isso inclui a lavagem frequente das mãos, a etiqueta ao tossir ou espirrar (cobrindo nariz e boca com o braço ou lenço de papel) e o isolamento em caso de sintomas gripais ou de resfriado.

Caso o isolamento não seja viável, o uso de máscara ao sair de casa é recomendado. Adicionalmente, a atualização do calendário vacinal é apontada como uma das ações preventivas mais cruciais.

Incidência e mortalidade

A análise da Fiocruz sobre as últimas oito semanas epidemiológicas demonstra que as médias semanais de incidência e mortalidade mantêm um padrão de maior impacto nos extremos das faixas etárias estudadas. A incidência de SRAG é notavelmente superior em crianças de até dois anos, enquanto a mortalidade atinge principalmente a população com 65 anos ou mais.

Embora a SRAG em crianças pequenas esteja predominantemente associada ao VSR, a elevada mortalidade entre idosos é majoritariamente causada pelo vírus influenza A. É importante ressaltar que existe vacina para este último, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Dados epidemiológicos

No ano corrente, foram registrados 115.203 casos de SRAG. Desses, 60.200 (52,3%) apresentaram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Outros 39.743 (34,5%) foram negativos, e pelo menos 8.218 (7,1%) ainda aguardam o resultado dos exames.

Entre os casos positivos identificados neste período, a distribuição viral foi a seguinte: 20,8% correspondem à influenza A, 4,5% à influenza B, 40,2% ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR), 30,2% ao rinovírus e 4,5% ao Sars-CoV-2 (Covid-19).

FONTE/CRÉDITOS: Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil