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Rosário Oeste, MT – Dez anos após o desaparecimento de Ronaldo Vargas da Cunha, de 25 anos, três policiais militares foram absolvidos pelo Tribunal do Júri da Comarca de Rosário Oeste. A decisão foi lida na tarde desta sexta-feira (10), após dois dias de julgamento que contaram com 23 depoimentos.
Os policiais Odjarma Jesus de Almeida, Jucival Claro da Silva e Luan Antoniel da Cruz Gomes respondiam por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Segundo a denúncia do Ministério Público, eles teriam matado o jovem durante uma abordagem policial na madrugada de 13 de dezembro de 2016, no Bairro Nossa Senhora Aparecida.
A bicicleta de Ronaldo foi encontrada abandonada no local. Testemunhas relataram ter visto o rapaz entrar em uma viatura e ouviram um grito e o barulho de um porta-malas. A investigação da Polícia Civil indicou que a viatura seguiu pela MT-010, parou em uma área rural e depois na ponte sobre o Rio Cuiabá, onde o corpo teria sido descartado. No entanto, o corpo nunca foi localizado.
Defesa e decisão do júri
A defesa, conduzida pelos advogados Marciano Xavier das Neves, Nilton Marcos Nunes Pereira e Robson de Oliveira Cardoso, sustentou desde o início que os policiais não tiveram qualquer participação no desaparecimento. Os réus afirmaram que abordaram um ciclista durante rondas, mas o liberaram após revista e continuaram o patrulhamento normal.
Os jurados acolheram a tese da defesa e concluíram que não havia provas suficientes da ocorrência do crime. A juíza Marília Augusto de Oliveira Plaza leu a sentença que absolveu os três acusados. Tanto o Ministério Público quanto a defesa informaram que não recorrerão da decisão, tornando-a definitiva (trânsito em julgado).
Odjarma Jesus de Almeida já se encontra na reserva remunerada desde 2023, enquanto os outros dois ainda atuam na corporação. Os policiais responderam ao processo em liberdade durante todo o período.
Nota da defesa
Em nota, a defesa destacou: “Após quase uma década sob o peso de uma acusação injusta, a verdade prevaleceu. O veredicto confirmou que os réus não tiveram participação no desaparecimento da vítima. Não havia provas capazes de ligá-los aos crimes imputados.”
Repercussão local
O caso marcou profundamente a pequena cidade de Rosário Oeste. Familiares de Ronaldo, incluindo a avó Ana Maria da Silva, acompanharam o julgamento na expectativa de respostas que, até o momento, não foram totalmente esclarecidas. O desaparecimento de Ronaldo continua sem solução quanto ao paradeiro do corpo.
A decisão reacende o debate sobre abordagens policiais, investigações de desaparecimentos e a importância de provas concretas no sistema de Justiça.