A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa pôr fim à escala 6x1 na Câmara dos Deputados, na noite desta quarta-feira (27), gerou grande entusiasmo entre os trabalhadores brasileiros. A medida, que ainda necessita de chancela do Senado Federal para entrar em vigor, promete conceder mais tempo para a família e lazer, impulsionando planos de descanso tão aguardados.

Para Gessiane Roberto Vianna, atendente de lanchonete de 28 anos no centro do Rio de Janeiro, a perspectiva de ter um dia extra de folga é motivo de celebração. Ela, que atualmente cumpre jornada de segunda a sábado, já planeja um dia na praia com suas filhas de 12 e 7 anos, um desejo há muito adiado.

Para compreender os detalhes da proposta, entenda a PEC que visa acabar com a escala 6x1, prometendo mais tempo livre e o mesmo salário.

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"Minha mãe é quem assume a rotina matinal das minhas filhas, desde o café da manhã até a escola, pois minha carga de trabalho não me permite estar presente", desabafa Gessiane, evidenciando o impacto da atual jornada em sua vida familiar.

Sua rotina é ainda mais desafiadora devido às duas horas diárias dedicadas ao transporte, somando-se às 44 horas semanais de trabalho. Esse tempo extra fora de casa intensifica o afastamento da convivência familiar.

As filhas, segundo ela, frequentemente expressam o desejo de passeios à praia ou outras atividades de lazer, pedidos que Gessiane lamenta não conseguir atender devido à falta de tempo.

Enquanto o trâmite legislativo no Congresso Nacional prossegue, a expectativa pela mudança na escala 6x1 impulsiona os trabalhadores a projetar um futuro com dois dias de descanso remunerado. Entre eles está Emerson Santos, balconista de 43 anos, que sonha em desfrutar do ar puro da Floresta da Tijuca com seu filho de 13 anos.

"Meu filho sempre pede para fazermos trilhas e irmos a cachoeiras, que são nossos momentos de lazer preferidos. Infelizmente, são raros", compartilha Emerson, destacando a dificuldade de conciliar o trabalho com essas atividades.

Atuando em uma farmácia na zona sul do Rio, Emerson almeja intensificar esses passeios com as duas folgas semanais, um benefício que, como ele ressalta, já é uma realidade para diversas outras categorias profissionais.

Para detalhes sobre a votação, confira como os deputados votaram na PEC que extingue a escala 6x1.

Família reunida

O desejo de maior convivência familiar não se restringe aos pais. Victor Pacheco, gerente de uma loja de calçados e bolsas no centro do Rio, de 23 anos, que também trabalha de segunda a sábado, expressa alívio principalmente por sua mãe, de 50 anos, que enfrenta a árdua escala 6x1 em uma fábrica de biscoitos.

"Minha mãe reside em Duque de Caxias e sua jornada começa às 9h, chegando a Madureira apenas duas horas depois. O retorno é igualmente exaustivo, com o risco de perder o último ônibus e chegar em casa quase à meia-noite", detalha Victor, descrevendo a intensa rotina da mãe.

Os raros domingos em que suas folgas coincidem exigem um planejamento meticuloso para que consigam se encontrar, evidenciando a dificuldade de manter a proximidade familiar com as atuais jornadas.

"Trabalhamos aos sábados. Apenas nos domingos, quando nossas folgas se alinham, conseguimos nos organizar para nos ver, e isso exige um planejamento cuidadoso", explica ele.

A luta contra o relógio também é uma realidade para Juliana de Mello*, atendente de quiosque de sorvete de 21 anos, que trabalha de segunda a sábado. Com um bebê de 1 ano e 10 meses, seu maior anseio é dispor de mais tempo para as necessidades básicas da criança.

"Ela estava tão ansiosa que quase ligou para a gerente hoje, querendo saber os detalhes da nova escala de trabalho", comenta uma colega, em tom de brincadeira, sobre a expectativa de Juliana.

"Desejo levá-la ao pediatra, para vacinar, realizar essas tarefas simples e, principalmente, acompanhar seu crescimento", revela Juliana à Agência Brasil, com a esperança de que a mudança seja implementada o mais breve possível.

Além do convívio familiar, o tempo adicional também abre portas para o desenvolvimento pessoal e profissional. Stephanie Gonzaga, atendente de banca de jornal de 34 anos, planeja dedicar-se aos estudos.

"Com uma folga a mais, poderei me concentrar no meu curso técnico de enfermagem", afirma Stephanie. "Para estudar, é preciso ter tempo e disposição mental, e o cansaço excessivo muitas vezes nos força a abrir mão de nossos objetivos", pondera.

Escala sacrificante

Em São Paulo, a expectativa também é alta. Trabalhadores ouvidos pela Agência Brasil expressam grande satisfação com a iminente extinção da escala 6x1, almejando dedicar mais tempo para a família. Flávio Antunes, funcionário de uma papelaria na zona sul da capital paulista, é um deles.

"Eu desejava muito o fim da 6x1. Anseio por mais tempo para meu filho e minha esposa", confessa Flávio, reforçando o desejo generalizado por maior convívio familiar.

Celma Araújo, vigilante que atua na zona oeste de São Paulo, também recebeu com alegria a notícia da votação no Congresso. Embora a alteração não a impacte diretamente, ela vê a medida como um grande benefício para seu marido e filho, que trabalham sob a jornada 6x1.

"Eles se queixam bastante da 6x1, pois não conseguem passar tempo com a família, participar de eventos ou ter qualquer tipo de lazer", explica Celma, evidenciando as restrições impostas por essa modalidade de trabalho.

Na zona norte de São Paulo, o porteiro Everton França, metalúrgico de formação, é outro que celebra a mudança. Ele abandonou sua profissão original justamente por considerar a escala 6x1 excessivamente sacrificante.

"Considero o fim da escala 6x1 muito positivo, pois abrirá novas oportunidades. Muitos profissionais que deixaram empregos anteriores devido à intensidade dessa jornada poderão retornar", avalia França.

Ele próprio se encaixa nesse grupo: "Eu sou metalúrgico e saí porque a escala era muito puxada. Agora, com a perspectiva da 5x2, já estou considerando voltar à profissão", revela, demonstrando o potencial de reaquecimento de setores com a mudança.

*O nome de Juliana de Mello foi alterado para preservar a identidade da entrevistada.

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira e Odair Braz Júnior - repórteres da Agência Brasil