A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados deu aval recente ao projeto de lei que estabelece a Política Reintegra Brasil. A iniciativa tem como principal objetivo oferecer suporte à reinserção social e profissional de brasileiros repatriados e deportados que retornam ao país, garantindo medidas de acolhimento e desenvolvimento.

Entre as diretrizes fundamentais da Política Reintegra Brasil, destacam-se a criação de postos de acolhimento em regiões fronteiriças, a priorização no acesso a programas sociais existentes e a disponibilização de linhas de crédito específicas para esses cidadãos.

A relatora da proposta, deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), foi crucial para a aprovação do substitutivo já acolhido pela Comissão de Saúde, referente ao Projeto de Lei 96/25, de autoria da deputada Renata Abreu (Pode-SP), e outros projetos apensados. A versão final incorporou importantes modificações.

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De programa a política pública

Inicialmente, o texto previa a implementação de um programa governamental. Contudo, a deputada Rogéria Santos defendeu a alteração para "política pública", argumentando que esta terminologia assegura a perenidade das ações, em contraste com a natureza temporária dos programas.

Segundo a parlamentar, "o retorno sob força possui impactos na sociedade. Isso gera a necessidade de amparo do Estado, não na forma de ações com limite de prazo, mas de uma política de longa duração", enfatizando a importância de um suporte contínuo para os cidadãos.

Adicionalmente, um trecho que propunha alterações na Lei de Migração foi suprimido pela relatora. A justificativa é que as garantias já estão devidamente contempladas pela Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, evitando duplicações legislativas.

Principais eixos da Política Reintegra Brasil

A Política Reintegra Brasil organiza suas ações em diversos pilares para garantir um suporte abrangente:

  • Postos de fronteira:
    • Criação de unidades de recepção nos pontos de entrada para cadastro dos retornados.
    • Encaminhamento para abrigos temporários ou auxílio para transporte até o município de origem.
  • Planos de emergência:
    • Elaboração de ações para atendimento de repatriações em massa.
    • Atuação conjunta de estados e municípios para garantir apoio humanitário.
  • Saúde e família:
    • Oferta de atendimento psicológico e assistência social.
    • Criação de espaços de convivência para mães e filhos.
    • Apoio na localização de parentes no Brasil.
  • Atenção às mulheres:
    • Prioridade no acesso a serviços para mulheres responsáveis pelo sustento familiar ou em situação de vulnerabilidade.
    • Garantia de suporte de justiça para vítimas de violência.
  • Educação:
    • Facilitação de matrículas na rede pública para crianças e adolescentes.
  • Assistência social e transferência de renda:
    • Atendimento prioritário no Cadastro Único (CadÚnico).
    • Prioridade no acesso ao Bolsa Família e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).
  • Emprego e empreendedorismo:
    • Oferta de cursos de qualificação profissional em parceria com empresas.
    • Criação da linha de crédito "Retorno Produtivo".
    • Incentivo à formação de cooperativas.
  • Proteção patrimonial:
    • Orientação para proteção de bens e recursos adquiridos no exterior.
  • Monitoramento da política:
    • Criação de bancos de dados para avaliação da eficácia da política.
    • Integração de trabalho entre órgãos de governo, conselhos de tutela e entidades da sociedade civil.

Próximos estágios da tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, agora seguirá para avaliação das comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que a Política Reintegra Brasil se torne lei, será necessária a aprovação tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

Entenda o processo de tramitação de projetos de lei no Congresso Nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias