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A Baixada Cuiabana perderá espaço na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) a partir de fevereiro de 2027, quando a nova legislatura terá início. A região, que abrange Cuiabá, Várzea Grande e outros 11 municípios, detinha maioria absoluta do parlamento estadual, com 13 das 24 cadeiras, mas sofreu quatro baixas e passará a contar com “apenas” nove representantes. Todas as demais macrorregiões do estado terão pelo menos um deputado na próxima composição da Casa.
Os cinco deputados da região que tentaram a reeleição - Paulo Araújo (Republicanos), Eduardo Botelho (MDB), Juca do Guaraná (PSDB), Elizeu Nascimento (Novo) e Júlio Campos (União) - foram derrotados nas urnas e deixarão a Assembleia ao fim de janeiro. Se considerada também a derrota da deputada Janaina Riva (MDB), que disputou uma vaga no Senado e não obteve sucesso, o número de baixas chega a seis.
Contudo, entre os eleitos para a próxima legislatura estão a vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Iris (PL), e o exdeputado estadual Ulysses Moraes (Pode), que retorna após quatro anos afastado. Com 30.338 votos, Paulo Araújo foi o segundo mais votado entre os candidatos que não conseguiram se reeleger. Para ele, a perda de espaço da Baixada Cuiabana foi determinante para o resultado dos parlamentares da região.
“Isso pulverizou muitos votos. É uma pena que eu não tenha conseguido a reeleição, mas fui muito bem votado. Sou um deputado muito feliz por ter feito muita coisa pelo meu estado. Graças a Deus, consegui avançar bastante nas pautas municipalistas, bem como consolidar as pautas da saúde, com a construção de várias unidades hospitalares por todo Mato Grosso”, afirmou.
Outro dado que evidencia a redução da força política regional é que, em sete dos 13 municípios da Baixada Cuiabana, os candidatos mais votados para deputado estadual são de outras regiões. O presidente da ALMT, Max Russi (Pode), que liderou a votação geral com 86.934 votos, venceu em quatro cidades: Nova Brasilândia, Nobres, Nossa Senhora do Livramento e Chapada dos Guimarães.
Os emedebistas Dr. João, com base eleitoral em Tangará da Serra, e Leonardo Bortolin, oriundo de Primavera do Leste, foram os mais votados em Santo Antônio de Leverger e Planalto da Serra, respectivamente. Em Jangada, o mais votado foi Gilmar Fabris (PSD), que não conquistou uma cadeira.
REGIÃO SUL AMPLIA PRESENÇA
Enquanto a Baixada Cuiabana encolhe, a região Sul do estado sai fortalecida para a próxima legislatura. Atualmente representada por quatro deputados - Max Russi, Nininho (Republicanos), Sebastião Rezende (União) e Thiago Silva (MDB) -, a região ganhará mais dois nomes: a primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira (Pode), e Leonardo Bortolin. Na região Leste, Dr. Eugênio (Republicanos), que ocupa uma cadeira há dois mandatos, terá a companhia do ex-prefeito de Pontal do Araguaia, Adelcino Lopo (Pode).
Na região da Fronteira e do Vale do Guaporé, o ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Barcelos (PL), se juntará a Valmir Moretto (Republicanos). As demais regiões mantiveram seus representantes: Valdir Barranco (PT), no extremo-norte; Gilberto Cattani (PL) e Dilmar Dal Bosco (União), no Nortão; e Chico Guarnieri (PSDB) e Dr. João, no sudoeste.
FORÇA DO MUNICIPALISMO
Na visão do historiador e analista político Alfredo da Mota Menezes, o encolhimento da Baixada e o crescimento das demais regiões confirma o novo realinhamento político local. “Por muito tempo, a maioria dos políticos do estado conquistavam votações expressivas principalmente por serem oriundos da região metropolitana. Hoje, isso não ocorre mais. Veja que a Baixada Cuiabana concentra cerca de um terço da população do estado e terá a praticamente a mesma proporção na ALMT, com 9 de 24 vagas. Trata-se de um reequilíbrio de forças”.
Para Menezes, o surgimento de lideranças municipais que compreendam as necessidades das suas áreas de atuação transformou a votação para o parlamento em uma disputa distrital. “Ao contrário do que se vê nas disputas majoritárias, onde a ideologia se sobrepõe às propostas, o eleitor prioriza as demandas mais sensíveis nos pleitos proporcionais. Em Mato Grosso, o agronegócio tem a sua importância, mas não é capaz de, sozinho, forjar novas lideranças. Tanto que o Nortão não aumentou e apenas manteve a sua representatividade”.
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