A violência política de gênero se manifesta por meio de intimidação, ataques à honra, ameaças e até homicídios. Episódios como o assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018 e as agressões contra a deputada Maria do Rosário em 2014 ilustram a gravidade desse problema no país.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os processos judiciais sobre o tema registraram um salto expressivo em quatro anos. Enquanto 2022 contabilizou 15 casos, o acumulado até setembro de 2026 chegou a 177 ocorrências na Justiça Eleitoral.
O Ministério Público Federal (MPF) catalogou 436 denúncias desde 2018. Desse total, mais de 50% envolveram teor moral, e 40% corresponderam a episódios de violência psicológica contra as vítimas.
Conscientização e impactos na democracia
Para frear essa prática, o TSE e o MPF apresentaram a campanha Política é Substantivo Feminino. A iniciativa busca alertar a população sobre os danos causados às candidatas e parlamentares.
A ministra do TSE, Estela Aranha, pontuou que o assédio silencia a vítima individualmente e afasta a coletividade. Para ela, a expulsão das mulheres do debate público compromete diretamente a essência da democracia brasileira.
Recorte racial e subrepresentação
Entidades entregaram ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, um manifesto com alertas sobre o aumento de ataques racistas e ameaças de morte direcionadas a candidatas negras e LBTs durante o pleito.
Dados do Instituto Marielle Franco apontam que 87% das vítimas analisadas entre 2021 e 2025 eram mulheres negras, evidenciando uma vulnerabilidade interseccional marcante.
No cenário legislativo internacional, o Brasil ocupa a 135ª posição entre 184 países no ranking de representatividade feminina, contando com apenas 17,5% de cadeiras ocupadas por mulheres no Congresso Federal.