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Um estudo inédito divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro em 2025 aponta que aproximadamente 80% dos veículos roubados ou furtados no estado foram recuperados em cinco municípios-chave: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo, Belford Roxo e São João de Meriti. A análise detalhada sobre roubo e recuperação de veículos demonstra uma forte correlação entre a localização dos bens subtraídos e áreas sob influência do crime organizado.
A pesquisa, intitulada 'Roubo e recuperação de veículos: padrões de criminalidade no estado do Rio de Janeiro', revelou que a maioria dos veículos recuperados foi encontrada em comunidades ou nas proximidades de territórios controlados por facções criminosas. Dos 17.228 veículos recuperados no ano passado, uma parcela significativa de 18% concentrou-se em seis regiões específicas da capital fluminense.
Entre as áreas de maior incidência de recuperação de veículos estão as comunidades do Chapadão, Pedreira, Juramento, Manguinhos, Parque Arará e o Complexo da Maré. O ISP destaca que os crimes de roubo e furto de veículos são delitos patrimoniais de alta frequência no Rio de Janeiro, cujos impactos transcendem a perda material, alimentando mercados ilícitos e outras dinâmicas criminosas.
A análise da distribuição geográfica dos roubos e furtos de veículos indica uma concentração notável. Na capital, 50% dos incidentes ocorreram em apenas 4,3% do território. Em Duque de Caxias, a concentração é de 2,6%, enquanto em São João de Meriti, São Gonçalo e Nova Iguaçu, os percentuais de área territorial afetada são de 12%, 5,2% e 3%, respectivamente.
O estudo também ressalta a agilidade na comunicação do crime às autoridades, com 92,2% dos automóveis e 91,8% das motocicletas sendo registrados em até três dias. Essa rapidez contribui para a recuperação de uma grande porcentagem dos bens subtraídos. De fato, a maioria dos veículos, correspondendo a 95,4% dos carros e 64,4% das motos, é recuperada em um prazo de até 72 horas após o registro da ocorrência.
As trajetórias observadas, segundo o ISP, sugerem fluxos planejados ou induzidos em direção a locais de receptação, alinhados às redes de transações ilícitas existentes em cada território. Essa constatação reforça a complexa relação entre a criminalidade veicular e a estrutura do crime organizado no estado.