O governo federal retirou o regime de urgência do Projeto de Lei (PL) 1838/26, que visa encerrar a escala de trabalho 6x1. A decisão, tomada na tarde desta terça-feira (16) durante reunião de líderes na Câmara dos Deputados, destrava a pauta do plenário que estava congestionada por esta matéria. Com a remoção da urgência, o caminho está livre para a votação de outras propostas.

José Guimarães, ministro de Relações Institucionais, explicou em suas redes sociais que a medida foi adotada para priorizar o avanço de projetos considerados essenciais. Entre eles estão a atualização do teto do microempreendedor individual (MEI), a regulamentação da inteligência artificial (IA) e a criminalização da misoginia.

Guimarães enfatizou que “o fim da escala 6x1 sem redução de salário é a prioridade do Governo do Brasil neste momento”. Ele também destacou que, após a aprovação da PEC na Câmara dos Deputados, sob a condução do presidente Hugo Motta, agora cabe ao Senado Federal, liderado pelo presidente Davi Alcolumbre, consolidar essa importante conquista para os trabalhadores brasileiros.

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Misoginia em debate

Ainda na reunião de líderes, os deputados debateram o Projeto de Lei (PL) 896/23. Este texto busca equiparar a misoginia ao crime de racismo, tornando-a inafiançável e imprescritível.

Embora houvesse a expectativa de que o PL 896/23 fosse analisado na sessão desta terça-feira, os líderes parlamentares acordaram em pautar a matéria para a última semana de junho.

Na quarta-feira anterior (10), a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), coordenadora do grupo de trabalho responsável pela proposta, apresentou uma versão atualizada do texto. Esta nova redação já havia sido aprovada no Senado.

Em seu relatório, a parlamentar sublinhou a “íntima relação entre o discurso de ódio e inferiorização das mulheres e a prática de crimes graves”. Ela reforçou que o feminicídio, muitas vezes, é uma “morte anunciada”, precedida por diversas formas de violência verbal e simbólica.

A proposta também prevê o atendimento policial especializado para as vítimas. Este cuidado visa considerar a situação de vulnerabilidade e diminuir o risco de revitimização.

Tabata Amaral ressaltou a importância das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams). Segundo ela, as Deams “desempenham um papel fundamental na rede de proteção à mulher e podem, portanto, oferecer um espaço de acolhimento qualificado e humanizado para aquelas que enfrentam a violência decorrente de misoginia”.

Adicionalmente, o projeto altera o Artigo 8º da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). O objetivo é incluir medidas de prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher.

As novas diretrizes focam na identificação precoce de fatores de risco e na avaliação periódica do impacto de ações governamentais e não governamentais. Buscam também promover programas que fortaleçam os vínculos familiares e ofereçam suportes econômicos e sociais.

Essas iniciativas são cruciais para mitigar a dependência financeira. Frequentemente, essa dependência mantém as mulheres vítimas presas ao ciclo de abusos, dificultando sua saída e recuperação.

FONTE/CRÉDITOS: Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil