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O estado de São Paulo registrou um aumento nos casos de feminicídio entre janeiro e maio de 2026, com um total de 124 ocorrências, comparado às 107 do mesmo período no ano anterior. A alta, impulsionada principalmente por assassinatos de mulheres no interior paulista, onde foram contabilizadas 85 notificações, foi divulgada nesta tarde (30) pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo. A SSP reconhece que o enfrentamento ao feminicídio continua sendo um desafio constante para as forças de segurança e para toda a rede de proteção às mulheres.
O feminicídio é definido como o assassinato de uma mulher que ocorre no contexto de violência doméstica ou familiar, ou que é motivado por menosprezo ou discriminação à condição feminina.
Apesar do aumento geral, o mês de maio apresentou uma queda nos casos, com 18 notificações contra 26 no mesmo mês de 2025. Essa redução foi mais acentuada nos municípios do interior, que registraram nove casos em vez de 15.
A coronel Glauce Anselmo Cavalli, comandante-geral da Polícia Militar, destacou os investimentos em ações preventivas, no fortalecimento dos canais de atendimento e na capacitação policial. "Nenhum caso de feminicídio é aceitável. [...] A redução registrada em maio é um resultado importante, mas seguimos atuando de forma incansável para preservar vidas e garantir que as mulheres se sintam seguras para denunciar qualquer tipo de violência", afirmou.
A delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) de São Paulo, ressaltou a importância da denúncia para interromper o ciclo de violência. "O feminicídio normalmente é o último estágio de uma sequência de violências que, muitas vezes, já vinha sendo praticada contra a mulher. Se não há denúncia, não temos como saber que há um problema ali", declarou.
Braga acrescentou que "quanto mais cedo essa vítima consegue acessar os canais de atendimento e denunciar o agressor, maiores são as chances de interromper esse ciclo e evitar uma tragédia".
Estupros e outros crimes
O estado de São Paulo também observou um aumento nos casos de estupro entre janeiro e maio de 2026. Foram registradas 6.500 ocorrências neste ano, contra 6.219 no mesmo período de 2025. Em maio, o número foi de 1.320 casos, superior aos 1.183 de maio do ano anterior.
Em contrapartida, os homicídios dolosos apresentaram o menor índice para o mês de maio desde 2001, com 163 ocorrências, uma diminuição em relação às 190 de maio de 2025. No acumulado do ano (janeiro a maio), os 970 casos também representam o menor patamar da série histórica, sendo a primeira vez que o indicador ficou abaixo de mil mortes nesse intervalo.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, atribuiu a redução dos índices criminais à "atuação orientada por dados". "Intensificamos o combate ao crime organizado em todas as regiões, ampliamos o uso de tecnologia e fortalecemos o trabalho integrado das polícias", disse.
Os latrocínios, roubos seguidos de morte, mantiveram-se estáveis em maio com sete ocorrências, igual ao ano anterior. No acumulado do primeiro quadrimestre, houve queda, passando de 58 casos em 2025 para 38 entre janeiro e maio de 2026.