A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições 2026, muitos cidadãos ainda não decidiram em quem votar. Neste ano, a escolha foi influenciada por debates intensos e polêmicas que acabaram desviando o foco das propostas reais.
Especialistas apontam caminhos para ajudar o eleitorado a selecionar nomes alinhados aos seus interesses. O objetivo é fugir de armadilhas como promessas genéricas e os chamados puxadores de voto.
Compreender o financiamento de campanha e as reais atribuições de cada cargo político são passos fundamentais para garantir uma participação consciente e responsável.
1) Eu, o eleitor
Antes de analisar currículos, é preciso olhar para a própria realidade coletiva. Algumas perguntas ajudam nessa reflexão:
- A qual grupo social e econômico eu pertenço?
- Com quais ideologias e visões de mundo eu me identifico?
- Quais problemas eu espero que o Poder Público priorize?
As decisões políticas envolvem escolhas distributivas. Nem sempre os interesses de diferentes classes sociais convergem, exigindo clareza por parte do cidadão.
“Por isso é fundamental o eleitor saber quais são seus interesses políticos e econômicos”, afirma o professor João Feres Júnior, da UERJ.
2) O que faz um político?
Conhecer as competências de cada cargo evita frustrações com falsas promessas. Um deputado não executa obras, função reservada ao Poder Executivo.
“Um senador ou um deputado federal têm muito poder para indicar a destinação das verbas públicas”, pontua a socióloga Débora Messemberg, da UnB.
3) Ações valem mais que palavras
Analisar o histórico, as votações anteriores e as alianças partidárias revela se o candidato realmente atende às demandas da população que diz representar.
As propostas e a prestação de contas oficial podem ser verificadas diretamente no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
4) Alinhamento partidário
No Brasil, a atuação política raramente ocorre de forma isolada. A disciplina partidária faz com que os parlamentares sigam orientações de bancada.
“Cada partido tem seu programa, sua posição política e compõe uma bancada”, reforça a cientista política Naiara Sandi, da UFPA.
5) Puxadores de voto
O sistema proporcional permite que candidatos muito votados ajudem a eleger outros integrantes do mesmo partido, o chamado efeito cascata.
Especialistas recomendam conhecer toda a nominata da legenda para evitar surpresas desagradáveis com políticos desconhecidos que acabam eleitos.
6 – No dia da votação
O primeiro turno ocorre em 4 de outubro. O uso de celulares é proibido na cabine de votação para garantir o sigilo e evitar fraudes ou coerções.
Levar uma colinha em papel com os números anotados é permitido e ajuda a agilizar o processo no momento de registrar o voto na urna eletrônica.