Nesta quarta-feira (19), o Dia Nacional do Orgulho Lésbico marca a mobilização por visibilidade e igualdade no Brasil, em um cenário onde quase 80% dessa população sofre violências constantes. A data reforça a urgência do combate à lesbofobia e a necessidade de políticas públicas efetivas.
Segundo dados do LesboCenso Nacional divulgados em 2022 pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela associação Coturno de Vênus, a discriminação atinge a rotina da maioria das mulheres lésbicas. Entre as agressões mais comuns estão o assédio moral e o sexual.
Em entrevista à Agência Brasil, a assistente social e coordenadora da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), Michele Seixas, destacou que a busca por saúde integral e por inserção digna no mercado de trabalho figuram como demandas centrais do movimento.
Gargalos e desafios no atendimento à saúde
A militante defende que o Sistema Único de Saúde (SUS) capacite suas equipes para oferecer assistência adequada aos corpos lésbicos. Atualmente, o atendimento ainda enfrenta barreiras ligadas ao preconceito e ao fundamentalismo religioso.
Uma das reivindicações do movimento é a inclusão obrigatória do quesito orientação sexual na ficha de anamnese clínica, a exemplo do que já ocorre com o campo de raça e cor, garantindo um cuidado direcionado.
Direitos reprodutivos e assistência social
No campo dos direitos reprodutivos, a Política de Planejamento Familiar ainda falha ao assistir casais lésbicos. Michele pontua a dificuldade de acesso à reprodução assistida no SUS, o que restringe a dupla maternidade àquelas com maior renda.
Além disso, arranjos familiares lésbico-afetivos seguem invisibilizados na Política Nacional de Assistência Social (PNAS), impedindo que essas famílias sejam devidamente cadastradas e contabilizadas em programas governamentais.
Barreiras no mercado de trabalho e invisibilidade
A discriminação afeta diretamente a autonomia financeira. O processo de exclusão se intensifica contra mulheres que desafiam padrões tradicionais de feminilidade, conhecidas como lésbicas desfem ou caminhoneiras.
Relatos indicam que muitas precisam ocultar sua orientação ou alterar sua aparência em seleções de emprego. A situação é agravada pelo racismo quando se trata de mulheres lésbicas negras.
Falta de estatísticas oficiais e canais de denúncia
A ausência de dados estatais sobre a população lésbica compromete a criação de políticas direcionadas. As únicas estatísticas disponíveis vêm de levantamentos independentes, como o Dossiê do Lesbocídio e o próprio LesboCenso.
Embora existam conquistas gerais da comunidade LGBTQIA+, como o casamento igualitário garantido desde 2013, o movimento ainda busca marcos específicos. Violações podem ser denunciadas pelo Disque 100 ou pela Polícia Militar (190).