Um escândalo financeiro abalou o interior de São Paulo após a prisão de uma ex-gerente de agência bancária. Ela é investigada pelo desvio de mais de R$ 2,1 milhões pertencentes a correntistas. Diante da repercussão, a defesa apresentou uma justificativa surpreendente: a bancária seria refém de um vício incontrolável no "Jogo do Tigrinho", famoso cassino virtual.
O esquema operava na agência do Santander em Miguelópolis (SP). Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, atuava há mais de uma década no local e usava o livre acesso e a confiança dos clientes para movimentar recursos sem autorização. Além dela, o companheiro, o cirurgião-dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, também foi preso preventivamente suspeito de envolvimento direto.
De acordo com as apurações da Polícia Civil, os alvos preferenciais eram idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre os casos denunciados, destaca-se o de uma aposentada de 78 anos que teve cerca de R$ 300 mil drenados de sua conta. A vítima apenas descobriu o saldo zerado após se recuperar de um procedimento cirúrgico nos olhos.
A quebra de confiança se estendia a operações sofisticadas e silenciosas. O inquérito policial aponta práticas sistemáticas de saques irregulares, empréstimos fraudulentos e resgates antecipados de aplicações financeiras. As apurações indicam ainda que o dentista frequentava constantemente a agência, de onde saía carregando sacolas repletas de maços de dinheiro em espécie entregues pela companheira.
Para fundamentar o pedido de revisão judicial, a defesa técnica de Vanessa alegou ludopatia — a dependência patológica em jogos de azar eletrônicos. Os advogados sustentam ainda que a ex-funcionária acumulava diagnósticos de síndrome de burnout, decorrente do esgotamento severo no ambiente de trabalho, e depressão profunda desenvolvida ao longo dos 12 anos de instituição.
Por outro lado, os investigadores trabalham com a hipótese de lavagem de dinheiro planejada. Conforme a polícia, os montantes desviados eram fracionados em contas de pessoas físicas e pulverizados em plataformas de apostas online. Esse artifício serviria para ocultar a origem ilícita dos valores antes de reintroduzi-los formalmente na economia como supostos lucros legais.
Em manifestação oficial, a defesa de Adilson declarou que ele desconhece qualquer irregularidade e nega participação nas fraudes. Já o banco Santander ressaltou que coopera ativamente com as autoridades policiais desde o início das averiguações internas e garantiu que nenhum cliente lesado sofrerá prejuízo financeiro com os desvios. O casal segue à disposição da Justiça.
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Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o namorado dela, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, foram presos por suspeita de estelionato em Miguelópolis, SP — Foto: Reprodução/Redes sociais