Em uma entrevista reveladora ao programa Na Palma da Mari Verão, da CNN Brasil, a cantora Luísa Sonza abriu o jogo sobre os bastidores da fama e as barreiras que ainda enfrenta como mulher no mercado fonográfico. A artista não poupou críticas ao etarismo — o preconceito baseado na idade — e à forma como o mercado tenta "enlatar" o talento feminino.

O peso do tempo

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Para Luísa, o envelhecimento na carreira artística é tratado de forma desigual entre homens e mulheres. "Eu acho muito preocupante como o mundo lida com o etarismo e, principalmente, com a mulher", afirmou. A cantora destacou que é doloroso ver artistas experientes serem diminuídas justamente pelo tempo de estrada e pela sabedoria adquirida, algo que ela define como uma estrutura "cruel".

Rivalidade e Machismo

Além da idade, a cantora abordou a criação de rivalidades femininas, que, segundo ela, são alimentadas pela própria indústria para desvalorizar o trabalho das mulheres. Luísa relembrou o início de sua trajetória, quando saiu de sua cidade natal, de apenas 6 mil habitantes, e se tornou alvo de ataques intensos na internet.

"Eu entendi o que era o machismo porque eu me culpava. Eu tentava uma aprovação e não conseguia", relatou. Foi através do contato com outras mulheres que ela percebeu que as críticas não eram sobre seu talento, mas sim sobre a objetificação constante do corpo feminino.

A luta contra as "caixinhas"

Hoje, mais madura e consciente, a artista afirma que precisou se educar para não se deixar enfraquecer pelos ataques. Ela defende que a indústria tenta constantemente colocar as mulheres em padrões específicos de comportamento e aparência.

"Vi que não ia importar o que eu fizesse, essas coisas estão atreladas a todas as mulheres. Então, decidi lutar contra isso", concluiu Luísa, reforçando que sua postura agora é de resistência contra os moldes impostos pelo mercado.