A iluminação deixa de ser apenas um elemento funcional e passa a assumir papel estratégico na promoção de saúde, bem-estar e sustentabilidade. Para 2026, especialistas indicam que o setor avança rumo a soluções que combinam tecnologia, eficiência energética e foco nas necessidades humanas, influenciando diretamente a forma como as pessoas vivem, trabalham e se relacionam com os espaços.

De acordo com a Associação Brasileira de Fabricantes e/ou Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi), que atualmente congrega 18 empresas do segmento, a principal transformação está na chamada eficiência biológica. “A grande fronteira da iluminação em 2026 é alinhar a luz ao ritmo natural do ser humano. Ao simular o ciclo circadiano, esses sistemas ajudam a corrigir desequilíbrios hormonais e de sono causados pela vida em ambientes fechados”, afirma o assessor técnico da entidade e engenheiro eletricista, Rubens Rosado.

Esse movimento é acompanhado por uma mudança de percepção sobre o papel da iluminação. Segundo ele, a luz passa a ser entendida como um recurso ativo para a qualidade de vida. “A iluminação que antes era vista como puramente funcional torna-se uma ferramenta capaz de criar ambientes mais saudáveis, confortáveis e adequados às diferentes atividades do dia a dia”, acrescenta o especialista.

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Na mesma direção, a Signify, uma das empresas associadas à Abilumi, destaca que a iluminação evolui para um papel cada vez mais estratégico na promoção de bem-estar e produtividade. “A luz passa a ser projetada para apoiar os ritmos biológicos, impactando diretamente saúde, humor e desempenho das pessoas em ambientes como escritórios, escolas e hospitais”, informa Lais Rume, gerente do departamento de Projetos da empresa.

Ambientes mais saudáveis e acolhedores

Entre as tendências que ganham força está a busca por conforto visual e qualidade da luz. Tecnologias que eliminam cintilação e melhoram a reprodução de cores contribuem para reduzir a fadiga ocular e aumentar a sensação de bem-estar em ambientes residenciais e profissionais.

Nas residências, o uso de LEDs com alto índice de reprodução de cor e sistemas sem cintilação permite criar atmosferas mais confortáveis e funcionais. “Há estudos que evidenciam que soluções flicker-free são fundamentais para reduzir efeitos prejudiciais à saúde e proporcionar maior conforto visual”, explica Rubens Rosado.

A Signify acrescenta que o conceito de camadas de luz — combinando iluminação geral, de tarefa e de destaque — contribui para ambientes mais acolhedores e versáteis. “Ambientes bem planejados utilizam diferentes níveis de iluminação para criar profundidade, conforto e sensação de aconchego, além de melhorar a experiência das pessoas nos espaços”, orienta Lais.

Outro fator relevante é a personalização da iluminação. A conectividade e a automação permitem que os usuários adaptem a intensidade e a cor da luz conforme o momento do dia ou a atividade realizada. “O que antes era restrito a projetos de alto padrão passa a chegar ao consumidor final por meio de tecnologias acessíveis, permitindo que cada pessoa gerencie sua própria higiene luminosa e melhore a qualidade do sono”, observa Rosado, da Abilumi.

Cidades mais seguras, inteligentes e sustentáveis

No ambiente urbano, a iluminação se consolida como infraestrutura essencial para o funcionamento das cidades. Sistemas inteligentes e conectados permitem maior eficiência energética, redução de custos e aumento da segurança pública.

Para a Abilumi, o conceito de “cidade para pessoas” ganha força. “Com o uso de telegestão e sensores, a iluminação pública torna-se inteligente, oferecendo mais segurança, reduzindo a poluição luminosa e garantindo cidades mais sustentáveis e acolhedoras”, sintetiza o porta-voz da Abilumi.

A Signify destaca que a iluminação urbana também passa a atuar como plataforma tecnológica. “Postes de luz deixam de ser apenas fontes de iluminação e se transformam em pontos de conectividade, capazes de integrar sensores, dados e sistemas digitais para tornar as cidades mais eficientes e responsivas”, complementa a representante da empresa.

Essa convergência tecnológica reforça o papel da iluminação como ferramenta de convivência urbana. Ambientes bem iluminados aumentam a sensação de segurança, estimulam o uso de espaços públicos e fortalecem o senso de comunidade.

Sustentabilidade e equilíbrio ambiental no centro das decisões

A sustentabilidade aparece como eixo transversal das tendências para 2026. A expansão do uso de LED, a redução do consumo de energia e a adoção de modelos de economia circular tornam-se prioridades para empresas e consumidores.

Segundo a Abilumi, o futuro aponta para uma integração cada vez maior entre tecnologia e responsabilidade ambiental. “Estamos caminhando para uma sustentabilidade integrada nas chamadas cidades inteligentes, em que a iluminação será capaz de se ajustar às demandas humanas de forma autônoma e respeitar também os ritmos da fauna e da flora”, identifica Rosado.

Para a Signify, a iluminação eficiente é uma das estratégias mais rápidas para reduzir emissões e apoiar metas climáticas globais. “A transição para sistemas mais eficientes e conectados contribui diretamente para a descarbonização e para a construção de cidades mais sustentáveis”, conclui Lais Rume, gerente de Projetos da companhia.



Website: https://www.abilumi.org.br
FONTE/CRÉDITOS: DINO