O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (29) para definir a taxa Selic, em meio a preocupações com a escalada da inflação e o conflito no Oriente Médio. Apesar da pressão sobre os preços de combustíveis, analistas de mercado antecipam a segunda redução consecutiva dos juros básicos.

A taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, atingiu o patamar de 15% em junho de 2025, o mais elevado em quase duas décadas, mantendo-se assim até março deste ano.

A divulgação da decisão do Copom está prevista para o início da noite. A reunião ocorrerá com a ausência de dois diretores cujos mandatos expiraram no final de 2025, e cujos substitutos ainda não foram indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional. Adicionalmente, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participará devido ao falecimento de um familiar.

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Na ata da reunião anterior, em março, o Copom absteve-se de indicar a continuidade dos cortes na taxa de juros. Em face da guerra no Oriente Médio, o BC declarou que a magnitude e a direção do ajuste na Selic seriam definidas conforme a evolução das informações econômicas.

Conforme a pesquisa Focus mais recente, que compila as projeções de economistas, a expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando-a a 14,5% ao ano.

Inflação em foco

O comportamento da inflação permanece como um ponto de atenção. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que serve como prévia da inflação oficial, apresentou uma aceleração para 0,89% em abril, influenciado principalmente pelos preços de combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice subiu para 4,37%, comparado a 3,9% no mês anterior.

A projeção de inflação para 2026, segundo o último boletim Focus, foi elevada para 4,86%, em decorrência do conflito no Oriente Médio. Este valor ultrapassa o teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, fixando o limite superior em 4,5%.

Entendendo a Taxa Selic

A taxa básica de juros, Selic, é utilizada nas operações com títulos públicos federais no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de crédito na economia. Sua principal função é ser o instrumento do Banco Central para o controle da inflação.

O BC ajusta a Selic diariamente através de operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos para manter a taxa próxima do valor definido pelo Copom. Quando a taxa é elevada, o objetivo é conter a demanda aquecida, encarecendo o crédito e incentivando a poupança, o que pode desacelerar a economia.

Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, estimular a produção e o consumo, e impulsionar a atividade econômica, embora possa reduzir o controle sobre a inflação.

O Copom realiza reuniões a cada 45 dias. O primeiro dia é dedicado a apresentações técnicas sobre cenários econômicos e de mercado, enquanto o segundo dia é focado na análise e decisão sobre a taxa Selic pelos membros da diretoria do BC.

Meta de inflação contínua

O sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, estabelece que a meta de inflação a ser perseguida pelo BC é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, resultando em um intervalo de 1,5% a 4,5%.

Neste modelo, a meta é verificada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. A comparação entre a inflação passada e a meta ocorre de forma contínua, com a verificação se deslocando ao longo do tempo, sem se restringir apenas ao índice de dezembro de cada ano.

O Banco Central, em seu Relatório de Política Monetária divulgado em março, elevou a previsão de IPCA para 2026 de 3,5% para 3,6%. Contudo, essa projeção pode ser revista caso a guerra no Oriente Médio se prolongue. A próxima atualização deste relatório, que substituiu o Relatório de Inflação, está prevista para o final de junho.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil