A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados deu aval a um projeto de lei que estabelece o Programa Nacional de Pesquisa sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa tem como principal objetivo impulsionar investigações científicas e tecnológicas voltadas para as causas do TEA e o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas, com a deputada Carla Dickson recomendando a aprovação com alterações.

A coordenação do programa ficará a cargo do Ministério da Ciência e Tecnologia, em colaboração com o Ministério da Saúde. Universidades, centros de pesquisa e entidades da sociedade civil terão a oportunidade de participar por meio de chamadas públicas.

Um ponto crucial é que os projetos selecionados para financiamento deverão aderir estritamente à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), com atenção especial aos dados de saúde de crianças e adolescentes.

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Diretrizes para a pesquisa

O programa norteará seus estudos por meio de diversas diretrizes, incluindo:

  • Incentivo a pesquisas para diagnóstico precoce e métodos inovadores de intervenção terapêutica.
  • Fomento à capacitação de profissionais das áreas de saúde e educação para o atendimento a pessoas com TEA.
  • Estímulo a parcerias público-privadas para o financiamento de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias assistivas.
  • Apoio a estudantes brasileiros com alto desempenho acadêmico.

O financiamento do programa será viabilizado por meio de recursos orçamentários designados, além de parcerias com o setor privado e cooperação com organismos internacionais.

Será exigida a apresentação de relatórios anuais detalhando o progresso e os resultados obtidos. Tais informações deverão ser disponibilizadas em acesso aberto, garantindo a proteção dos dados sensíveis.

O projeto também contempla a criação de uma bolsa de estudos para alunos com desempenho acadêmico destacado, vinculada à aplicação do conhecimento adquirido em instituições de pesquisa, órgãos públicos ou projetos de inclusão social.

Adicionalmente, será instituído um prêmio nacional para reconhecer contribuições científicas e projetos relevantes na área do autismo.

Critérios para recebimento de recursos

Para que tratamentos, métodos ou práticas terapêuticas sejam elegíveis para receber financiamento do programa, deverão atender a critérios rigorosos:

  • Comprovação de base em evidências científicas sólidas.
  • Respeito aos princípios éticos estabelecidos por órgãos de saúde e pesquisa.
  • Garantia de dignidade, integridade física e emocional, e desenvolvimento integral do indivíduo.
  • Observância das diretrizes e protocolos clínicos definidos por autoridades competentes.

Os serviços e atendimentos oferecidos serão submetidos a avaliações periódicas para assegurar sua eficácia, segurança e conformidade com os preceitos éticos.

Alterações e justificativas

O texto aprovado representa um substitutivo proposto pela deputada Carla Dickson (PL-RN) a duas propostas legislativas anteriores (PLs 4462/24 e 374/25). A modificação mais significativa foi a integração do novo programa à Lei 12.764/12, que estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA.

Carla Dickson ressaltou a urgência em expandir as pesquisas sobre autismo para aprimorar o diagnóstico, o tratamento e a inclusão social. "O investimento em pesquisa científica possibilita não apenas o aprofundamento do conhecimento sobre as causas e características do TEA, mas também a formulação de políticas públicas mais eficazes e baseadas em evidências", argumentou a relatora.

A proposta segue agora para análise conclusiva nas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, o texto necessita de aprovação tanto na Câmara quanto no Senado.

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FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias