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Domingo, 16 de Agosto 2026
Política

Tabata Amaral impulsiona debate sobre projeto de criminalização da misoginia na Câmara

A proposta visa ampliar punições, especialmente para crimes digitais, com votação prevista antes do recesso parlamentar.

Pagina1mt
Por Pagina1mt
Tabata Amaral impulsiona debate sobre projeto de criminalização da misoginia na Câmara
Ettore Chiereguini / Câmara dos Deputados
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A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), coordenadora do grupo de trabalho da Câmara dos Deputados que analisa o projeto de criminalização da misoginia (PL 896/2023), apresentou em São Paulo as últimas alterações sugeridas para a proposta. No evento, ela reiterou o pedido para que as participantes continuem enviando contribuições.

A parlamentar demonstrou otimismo de que o texto possa ser votado pela Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar de julho, consolidando o avanço legislativo contra a misoginia no país.

A deputada Tabata Amaral detalhou o projeto durante um encontro promovido pelo programa Câmara pelo Brasil. A relatora já havia divulgado, em data anterior, a versão que propõe para o texto original aprovado pelo Senado, que trata da criminalização da misoginia.

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A versão definitiva do projeto está prevista para ser entregue ao grupo de trabalho no próximo dia 16, momento em que será submetida a novas discussões e à votação interna.

A proposta legislativa, conforme aprovada pelo Senado, estabelece que a misoginia seja equiparada ao racismo. Essa equiparação implica que o crime se tornará inafiançável e imprescritível, reforçando a gravidade das infrações.

Para crimes perpetrados contra mulheres em razão do gênero, o projeto estipula uma pena de reclusão que varia de dois a cinco anos.

Combate aos discursos de ódio online

Entre as alterações propostas pela deputada Tabata Amaral, destaca-se a inclusão de mecanismos para punir grupos que promovam a disseminação de ódio contra mulheres no ambiente digital.

“Uma das atualizações que estou propondo em relação ao projeto do Senado é olhar para a questão da monetização e da articulação em grupos de ódio em rede, mas também a questão da influência. Está muito claro para a gente que o ódio às mulheres é uma forma que muitos influenciadores encontraram de atrair a atenção para vender seus cursos. E isso é ainda mais grave”, afirmou a deputada.

De acordo com a versão apresentada por Tabata Amaral, indivíduos que induzirem ou incitarem a misoginia em plataformas virtuais estarão sujeitos a penas de um a três anos de prisão, além de multa. A sanção será agravada caso a intenção seja obter vantagem econômica.

Adicionalmente, o projeto contempla a suspensão da conta digital utilizada para a prática do delito, visando coibir a recorrência dessas ações.

A necessidade de uma mudança cultural

A procuradora do Ministério Público de São Paulo, Fabíola Sucasa, presente no debate, defendeu veementemente a criminalização da misoginia. Contudo, ela ressaltou que a punição, por si só, não erradica o problema, enfatizando que a proposta deve ser um catalisador para uma transformação cultural mais ampla.

“A punição é necessária, mas não é a única solução; ela integra um dos pilares no enfrentamento à violência contra as mulheres. Por isso, é crucial que a consciência coletiva adote a postura de repelir qualquer forma de discriminação e violência de gênero”, declarou Fabíola Sucasa.

A filósofa Djamila Ribeiro corroborou a visão de que o ódio direcionado às mulheres persiste na sociedade brasileira. Em sua análise, o debate público desempenha um papel fundamental na construção de mecanismos eficazes de proteção e enfrentamento dessa desafiadora realidade.

“Considero de extrema importância a participação da população nesses diálogos, pois é assim que se constrói coletivamente um instrumento fundamental para a proteção das mulheres. Infelizmente, vivemos em um país onde há muito ódio direcionado às mulheres que ousam desafiar o lugar imposto pelo patriarcado”, pontuou Djamila Ribeiro.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias
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