A empresa Capital Consig e seu braço financeiro são os principais alvos da investigação da Operação Fugazi, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 15 de julho, para apurar um suposto esquema de fraudes em operações de crédito consignado e cartão de crédito consignado que teria prejudicado centenas de servidores públicos, aposentados e pensionistas de Mato Grosso. A ofensiva ganhou força após pedido do Ministério Público Federal (MPF), motivado por representação apresentada por sindicatos que representam o funcionalismo estadual.

A ação da PF busca aprofundar as investigações sobre um grupo econômico suspeito de utilizar contratos de cartão de crédito consignado para, na prática, oferecer empréstimos consignados com juros elevados e mecanismos que dificultariam a quitação das dívidas, provocando o aumento contínuo do saldo devedor.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. A Justiça Federal em Mato Grosso também determinou o bloqueio de bens, imóveis e ativos financeiros dos investigados.

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Entre os alvos estão pessoas físicas e empresas ligadas ao grupo investigado. A lista inclui Marcolino Medeiros Junior II, Roberto Arduini Gomes Teixeira, Sven Stefan Padre Kuhn, Caspar Heinrich Menke, Yim Kyu Lee e Henrique Souza e Silva Peretto. Também são alvos Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A., Grupo Clickdigital Participações S.A., Clickbank Instituição de Pagamentos Ltda., Bemcardes Benefícios S.A., ABCCARD Cartões Ltda., Quiz Holding Ltda. e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.

A investigação foi determinada pelo procurador da República Erich Raphael Masson após representação protocolada pelo Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig), em conjunto com outros sindicatos de servidores públicos estaduais. As entidades solicitaram ao MPF que o caso fosse investigado na esfera federal, sob o entendimento de que as possíveis irregularidades extrapolam crimes contra o consumidor e estelionato, podendo configurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro.

Na representação, os sindicatos apontam a Capital Consig e seu braço financeiro como o principal foco das suspeitas. O documento destaca o crescimento patrimonial da empresa após seu credenciamento no programa MTCard, do Governo de Mato Grosso.

Segundo os dados apresentados ao MPF, em setembro de 2022 a empresa possuía patrimônio de R$ 2,289 milhões. Em dezembro de 2024, esse valor teria saltado para R$ 95,319 milhões, um crescimento superior a 4.000%.

Para os representantes dos servidores, a expansão não estaria relacionada apenas às operações realizadas em Mato Grosso, mas também à adoção do mesmo modelo de negócios em outros estados e junto a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

CONFIRA OS ALVOS

1 - Marcolino Medeiros Junior II
2 - Roberto Arduini Gomes Teixeira
3 - Sven Stefan Padre Kuhn
4 - Caspar Heinrich Menke
5 - Yim Kyu Lee
6 - Henrique Souza e Silva Peretto
7 - Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A.
8 - Grupo Clickdigital Participações S.A.
9 - Clickbank Instituição de Pagamentos Ltda.
10 - Bemcardes Benefícios S.A.
11 - ABCCARD Cartões Ltda.
12 - Quiz Holding Ltda.
13 - Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.

OUTRO LADO

Em nota, a Capital Consig afirmou que recebeu “com surpresa” a diligência realizada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 15 de julho, e classificou a medida como “desnecessária e desproporcional”. A empresa informou que todos os documentos solicitados serão entregues à Justiça no menor espaço de tempo.

A Capital Consig também reafirmou seu compromisso com a transparência, a legalidade e o cumprimento das normas aplicáveis às suas atividades. A empresa destacou que está sujeita à fiscalização e às diretrizes do Banco Central, além de passar regularmente por auditorias e processos de controle.

Ainda segundo a nota, a Capital Consig está à disposição das autoridades competentes e prestará todas as informações e documentos solicitados, colaborando para o esclarecimento dos fatos.

FONTE/CRÉDITOS: Daffiny Delgado - Repórter | Estadão Mato Grosso