A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou em entrevista à Agência Brasil que o debate eleitoral no país está sendo empobrecido pela busca por engajamento rápido nas redes sociais e pela sobreposição de crises político-institucionais sobre propostas reais de governo.
Superficialidade e marketing nas campanhas
De acordo com a dirigente, as candidaturas têm adotado uma lógica de marketing superficial que prioriza conteúdos efêmeros em vez de discussões profundas sobre o país. "Sofremos um processo violento de 'tiktokização' da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha", declarou Samira, criticando o consumo superficial de informações em períodos decisivos.
O impacto do jornalismo declaratório
A liderança da Fenaj também apontou que os desdobramentos de crises no Poder Judiciário e na Polícia Federal têm dominado o noticiário. Contudo, ela alertou para os riscos do jornalismo declaratório, que apenas reproduz falas sem o devido aprofundamento ou questionamento do impacto dessas disputas para a sociedade.
Para Samira, quando a cobertura da imprensa foca unicamente no embate de bastidores e na busca por audiência imediata, pautas essenciais da sociedade ficam em segundo plano. Com isso, os eleitores perdem a oportunidade de avaliar com critérios sólidos os programas de governo em âmbito nacional e estadual.
Desafios futuros e pautas esquecidas
A presidenta da entidade defende que os veículos de comunicação precisam manter uma agenda própria de longo prazo. Segundo ela, é fundamental abordar temas estruturais e urgentes como as mudanças climáticas, a exploração de terras raras e a atração de data centers, ouvindo sempre fontes plurais e confiáveis.
Por fim, Samira ressaltou que o jornalismo deve cumprir sua função social de promover cidadania. Em vez de rivalizar com as redes sociais por engajamento momentâneo, a imprensa precisa agir com responsabilidade e dar voz às demandas da população diretamente afetada pela política.
