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O que deveria ser apenas um dia normal de trabalho em uma obra no Assentamento Cocal, na zona rural de Rosário Oeste (MT), terminou na delegacia para um jovem de 20 anos na tarde desta quinta-feira, 21 de maio. Uma abordagem comunitária e preventiva da Polícia Militar resultou na recuperação de uma motocicleta furtada e na prisão do trabalhador pelo crime de receptação. O caso chama a atenção pelos detalhes curiosos, desde o valor irrisório pago pelo veículo até o histórico de furtos da mesma moto.
A ocorrência foi registrada por volta das 14h15, quando a guarnição do 7º Batalhão da PM realizava um patrulhamento rural e decidiu parar em uma construção para manter contato com os trabalhadores locais. Aproveitando a parada, os policiais decidiram checar as placas dos veículos estacionados nas proximidades utilizando o aplicativo Fiscalização SENATRAN. O que parecia ser apenas uma verificação padrão revelou que uma motocicleta Honda CG 125 Titan KS, de cor vermelha, possuía um registro de furto em aberto.
O histórico criminal do veículo apontava que ele havia sido levado do município de Nossa Senhora do Livramento, em outubro do ano anterior. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela vítima na época, a moto havia sido deixada na chácara de seu irmão, um local sem proteção, de onde foi subtraída. Curiosamente, a família demorou meses para oficializar o roubo às autoridades, pois nutria a esperança de encontrar o bem por conta própria, já que aquela não era a primeira vez que a motocicleta havia sido furtada.
Ao ser questionado pelos policiais sobre a propriedade do veículo no canteiro de obras, o rapaz de 20 anos se apresentou como o dono. Ele alegou que estava com a moto há cerca de dois anos e que a havia comprado de um morador da região pela quantia de R$ 1.600. O suspeito tentou se defender afirmando que desconhecia a origem criminosa do bem. No entanto, os indícios contra ele eram fortes. Uma rápida consulta à tabela FIPE revelou que o modelo está avaliado em cerca de R$ 7.225, um valor drasticamente superior ao pago pelo jovem.
Além da gritante diferença de preço, outros detalhes confirmaram as suspeitas das autoridades. O condutor não possuía o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) ou qualquer outro documento que comprovasse a compra legal. Para piorar a situação, a motocicleta estava funcionando por meio de uma "ligação direta" na ignição, uma marca clássica de veículos furtados.
Diante de todos os fatos e da flagrante posse de um bem de origem ilícita, o trabalhador recebeu voz de prisão. Enquadrado, em tese, no crime de receptação previsto no artigo 180 do Código Penal, ele foi conduzido sem o uso de algemas e sem lesões ao quartel da 1ª Companhia da PM do 7º Batalhão. Após a confecção do boletim, o suspeito e a motocicleta recuperada foram entregues à Delegacia de Polícia Civil de Rosário Oeste, que dará andamento às investigações e aos trâmites legais para devolver o veículo ao seu verdadeiro dono.