Nesta quinta-feira (30), o Banco Central divulgou dados mostrando que os juros das famílias mantiveram trajetória de alta e atingiram 64% ao ano em junho. O resultado foi impulsionado sobretudo pelo avanço do crédito pessoal não consignado.
O levantamento do BC revelou um acréscimo de 1,2 ponto percentual (p.p.) na taxa de juros do crédito livre no mês, acumulando elevação de 4,6 p.p. em 12 meses. As taxas de crédito pessoal sem consignação deram o maior salto, subindo 7 p.p. no período.
Para todas as modalidades de empréstimo, a taxa média das concessões situou-se em 33,4% ao ano. O número indica uma ligeira alta de 0,2 p.p. frente a maio e avanço de 1,5 p.p. na comparação anual. O spread bancário permaneceu em 21,9 p.p., registrando alta de 1,1 p.p. ante o ano anterior.
A inadimplência total no Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 4,7% em junho, demonstrando estabilidade mensal, mas alta de 1 p.p. em relação a 2022. No recorte das pessoas físicas, o índice de calotes permaneceu fixo em 5,6%, embora acumule avanço de 1,2 p.p. em 12 meses.
No segmento de crédito livre, o índice de não pagamento foi de 6,2% no geral e de 7,6% para as famílias. Ambos mantiveram-se estáveis no mês, registrando altas anuais de 0,9 p.p. e 1,1 p.p., respectivamente.
Além dos juros elevados, o endividamento das famílias atingiu 49,8% em maio. Já o comprometimento médio de renda com dívidas alcançou 28,5%, apresentando um aumento de 1,3 p.p. na comparação com o mesmo período do ano passado.
Crédito às famílias
O saldo total de operações no SFN somou R$ 7,4 trilhões no mês de junho, avançando 0,7% no mês e 9,7% no período de um ano. A fatia destinada às pessoas físicas alcançou R$ 4,6 trilhões, representando expansão anual de 10,8%.
Em relação ao crédito livre para as famílias, o volume chegou a R$ 2,5 trilhões. Houve um recuo marginal de 0,1% frente a maio, motivado pela queda na procura por crédito pessoal não consignado sem garantias e aquisição de veículos.
Considerando o ajuste sazonal, as concessões totais de crédito subiram 0,4% no mês. Contudo, enquanto as empresas puxaram o desempenho com alta de 1,4%, a tomada de crédito pelas famílias caiu 0,2%.
Crédito ampliado
O crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 21,7 trilhões em junho, montante equivalente a 164,3% do PIB. O crescimento mensal de 0,9% foi guiado por títulos públicos (0,7%), empréstimos do SFN (0,6%) e empréstimos externos (2,3%).
A variação cambial do período, com depreciação de 2,37%, influenciou diretamente a alta dos empréstimos no exterior. No acumulado de 12 meses, o crédito ampliado subiu 11,9%, impulsionado por títulos privados de dívida (16%) e títulos públicos (15%).
Por fim, o crédito ampliado destinado ao setor empresarial somou R$ 7,2 trilhões, ou 54,7% do PIB. A expansão anual de 8,2% reflete o maior volume de emissão de títulos de dívida (14,2%) e de empréstimos no SFN (7,1%).