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A cervejaria Heineken vai cortar entre cinco mil e seis mil postos de trabalho, o que representa 7% de um total global de 87 mil funcionários, para enfrentar uma queda generalizada no consumo da bebida, provocada pelo aumento dos preços e pela moderação do consumo de álcool por parte dos consumidores.
A cervejaria holandesa, que também produz as marcas Tecate e Amstel, informou nesta quarta-feira que os cortes serão principalmente na Europa. A empresa também informou que o volume de vendas de cerveja caíram em 2025, embora a retração de 2,4% tenha sido ligeiramente menor do que os analistas previam.
As ações da Heineken subiram até 5,5% em Amsterdã, a maior alta intradiária em 12 meses. No acumulado do ano até o fechamento de terça-feira, os papéis avançavam 7%.
Os cortes de empregos são o mais recente sinal de um setor que enfrenta dificuldades para superar a retração no consumo de cerveja no período pós-pandemia em mercados-chave como Estados Unidos e Europa.
Isso já levou a uma mudança na liderança da Heineken, que surpreendeu os investidores no mês passado ao anunciar que o diretor-presidente (CEO), Dolf van den Brink, deixará o cargo em maio, após seis anos à frente da empresa.
Encontrar seu sucessor é uma “prioridade máxima” para o conselho, disse Van den Brink à Bloomberg TV nesta quarta-feira.
— São necessárias inovações maiores e mais ousadas — em mercados desenvolvidos como América do Norte e Europa, afirmou, acrescentando que as cervejas com baixo teor alcoólico e sem álcool têm forte potencial de crescimento.
Cautela em relação ao segmento no Brasil
Em teleconferência onde apresentou os números de 2025, Dolf van den Brink, apontou cautela com as projeções de curto prazo para o segmento de cerveja no Brasil, um importante mercado para a cervejaria holandesa, apesar da previsão de um clima mais quente no país e da Copa do Mundo de Futebol. A empresa tem sido pressionada pela queda de volumes nas Américas, principalmente no Brasil.
— No 'sell out' (venda ao consumidor) estamos felizes com o 'market share', sustentado pela marca Heineken, Amstel e Eisenbahn. O mercado desacelerou no segundo semestre. Estamos cautelosos com as projeções de curto prazo no Brasil. Não queremos comentar janeiro e vamos aguardar os dados. Estamos focando no que podemos controlar, que é o portfólio de marcas, a decisão de preço e os planos de ativação", disse o executivo.
Segundo reportagem do Valor Econômico, o CEO acrescentou que, mesmo diante dos desafios, a Heineken está confiante com o ano de 2026, ressaltando que um passo importante para a empresa foi a inauguração da fábrica em Passos (MG), principalmente por causa da localização da unidade:
—Temos uma economia de logística. Mesmo que nosso volume não cresça muito rápido no curto prazo, isso vai ajudar a melhorar o custo.
Cortes ao longo de dois anos
A Heineken já havia anunciado planos para enxugar sua sede administrativa, mas os cortes mais recentes vão muito além disso. A redução do quadro de funcionários ocorrerá ao longo de dois anos como parte de um programa de corte de custos, informou a empresa, sem especificar quais cargos serão afetados.
De acordo com Harold van den Broek, diretor financeiro da Heineken, o corte faz parte de um plano batizado de EverGreen 2030, que almeja uma economia entre € 400 milhões e € 500 milhões ao ano, meta que leva em consideração ganhos de produtividade, maior uso de inteligência artificial para reduzir custos e até saída de mercados com baixa produtividade.
A empresa está projetando um crescimento do lucro operacional entre 2% e 6% neste ano, em comparação com os 4,4% registrados em 2025, que ficaram na faixa inferior da projeção anterior.
Embora a previsão seja “ligeiramente mais moderada” do que o mercado poderia esperar, ela posiciona a empresa para cumprir metas em um ano de transição, afirmaram os analistas da Jefferies, Edward Mundy e Sebastian Hickman, em relatório.
Os analistas do Berenberg, Javier Gonzalez Lastra e Lavinia Norton, disseram que os resultados foram “melhores do que o temido” e que a orientação indica que a Heineken está comprometida com melhorias de produtividade.
As vendas dos concorrentes da Heineken também foram afetadas pela desaceleração mais ampla do consumo. As famílias enfrentam a alta nos preços de bens essenciais, enquanto as preocupações com a saúde relacionadas ao consumo de álcool também são um fator importante.
A Carlsberg A/S, que tenta diversificar seus negócios para além da cerveja com a aquisição da fabricante de refrigerantes Britvic no ano passado, ampliou neste mês sua projeção de lucro operacional ao alertar para uma demanda futura moderada nos mercados ocidentais.
Ainda assim, Van den Brink afirmou que a Heineken continua otimista em relação à demanda por cerveja, especialmente em mercados emergentes como Vietnã e África do Sul, onde fatores demográficos e o aumento da renda estão impulsionando o crescimento do consumo.
— Permanecemos prudentes no curto prazo e confiantes, no médio e longo prazos, de que a categoria voltará a crescer — ressaltou.
*Com informações de Valor Econômico
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