As recentes medidas restritivas do governo federal contra os sites de apostas irregulares no Brasil provocaram uma redução imediata de 31% nos fundos mantidos por usuários nessas plataformas. O balanço, apresentado em Brasília pelos ministérios da Fazenda e da Justiça, revela que o montante total despencou de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,453 bilhão desde o fim de setembro, após o cerco regulatório contra as empresas sem licença.
De acordo com Dario Durigan, ministro em exercício da Fazenda, o fluxo financeiro cotidiano do setor, que antes chegava a movimentar R$ 600 milhões diariamente, foi praticamente zerado. A forte retração ocorreu logo após a publicação da medida que proibiu a operação das plataformas não autorizadas no território nacional.
Mesmo com a expressiva debandada de recursos, o sistema ainda registra cerca de R$ 1,453 bilhão distribuídos em mais de 28 milhões de CPFs cadastrados. Por essa razão, as autoridades alertam que os apostadores devem solicitar o resgate de seus saldos até a próxima segunda-feira (5), data limite antes do desligamento definitivo dos sistemas.
Investigação de movimentações atípicas
A fiscalização federal também acendeu o alerta para possíveis crimes financeiros. Os órgãos técnicos identificaram 48 contas de usuários com saldos individuais superiores a R$ 500 mil. Esses perfis passarão por uma varredura minuciosa e, caso fiquem comprovadas irregularidades ou lavagem de dinheiro, os relatórios serão encaminhados para abertura de inquérito policial.
Paralelamente, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recebeu ordens para bloquear 10.435 páginas de apostas fora da lei em apenas uma semana. Esse esforço se soma a uma ofensiva anterior coordenada pelo Ministério da Justiça, que já havia retirado do ar aproximadamente 78 mil endereços eletrônicos nocivos aos consumidores.
Reforço na segurança e prazos de reembolso
Para sustentar a operação, o governo federal ampliou o aparato estatal. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) agora conta com uma diretoria focada na prevenção de danos ao usuário. Além disso, a Polícia Federal estruturou um setor especializado para combater a lavagem de capitais e monitorar a manipulação de resultados em eventos esportivos.
Os clientes que ainda possuem dinheiro retido nas plataformas suspensas têm até as 23h59 de segunda-feira para pedir o saque diretamente nos aplicativos. Entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas deverão repassar os dados de saldos aos bancos parceiros, agendando a devolução oficial para o período de 9 a 14 de outubro.
Se o reembolso não for efetuado dentro desse cronograma pelas operadoras, os valores residuais serão repassados sob custódia para a Caixa Econômica Federal. Caberá à instituição financeira pública gerenciar as solicitações posteriores de restituição de cada cidadão prejudicado.