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Quinta-feira, 17 de Setembro 2026
Justiça

Ex-procurador do Rio Metrópole é preso novamente na Operação Ouroboros

Justiça fluminense decreta nova prisão de Marcelo Lopes da Silva após análise de celular revelar novos indícios de corrupção e lavagem de dinheiro.

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Por Pagina1mt
Ex-procurador do Rio Metrópole é preso novamente na Operação Ouroboros
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Na última quarta-feira (16), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) prendeu preventivamente o ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM), Marcelo Lopes da Silva. O ex-servidor, investigado no âmbito da **Operação Ouroboros**, havia sido solto por um habeas corpus, mas teve a prisão restabelecida após a perícia em seu celular revelar novas provas de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

A decisão partiu da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital. De acordo com as investigações do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), Marcelo teria estruturado um esquema para ocultar propinas por meio de um microempreendimento individual (MEI) aberto em nome de sua então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva.

O MEI fictício foi contratado pela Engeconsult, empresa que possuía contratos milionários com o IRM. Os pareceres e aditivos dessas contratações passavam diretamente pelo crivo da Procuradoria liderada pelo acusado. O contrato simulado previa o repasse de R$ 30 mil, fracionados em seis parcelas de R$ 5 mil, sob a justificativa de prestação de serviços administrativos que nunca ocorreram.

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Mensagens obtidas no celular de Marcelo revelam que ele orientou a parceira a evitar registros escritos das tratativas. O contrato fraudulento com a Engeconsult foi assinado na mesma data de abertura do MEI, mas continha uma data retroativa. Além disso, as conversas expõem a interferência direta do ex-procurador no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) para acelerar pareceres favoráveis ao grupo econômico.

Para evitar a fiscalização de órgãos de controle externo, Marcelo chegou a sugerir o arquivamento interno de processos sensíveis. Em um dos diálogos interceptados, referindo-se a uma possível auditoria da Procuradoria-Geral do Estado, o acusado escreveu: “Melhor matar aqui no IRM e arquivar logo o caso”. Mesmo após sua demissão, em junho, ele continuou prestando serviços informais à organização criminosa.

Diante dos novos elementos, o MPRJ aditou a denúncia original. Marcelo agora responde por mais seis crimes de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro. Hélio Augusto Machado Pessôa, executivo da Engeconsult, também foi incluído no aditamento e responderá por lavagem de capitais.

Esquema milionário e desvios no IRM

Deflagrada inicialmente em julho, a **Operação Ouroboros** apura o desvio de R$ 86,28 milhões em contratos do Instituto Rio Metrópole. O Ministério Público aponta que os valores pagos às empreiteiras Engeconsult e R. Peotta Engenharia eram triangulados para o Instituto BIO, uma entidade fantasma sem capacidade operacional, e posteriormente sacados em espécie para distribuição de propina.

A investigação criminal teve início em janeiro deste ano, após agentes de segurança apreenderem R$ 500 mil em dinheiro vivo transportados sob escolta armada. A partir desse flagrante, o Gaesf identificou 28 transferências bancárias suspeitas para o Instituto BIO, somando R$ 3,29 milhões, além de saques sistemáticos que totalizaram R$ 3,02 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026.

FONTE/CRÉDITOS: Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil
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