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Terça-feira, 15 de Setembro 2026
Política

Estudo da Fundação do Câncer alerta para os riscos do melanoma extrapele

Publicação destaca maior potencial de metástase em tumores fora da pele e analisa desafios de acesso e custo no tratamento via SUS.

Pagina1mt
Por Pagina1mt
Estudo da Fundação do Câncer alerta para os riscos do melanoma extrapele
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Um levantamento inédito publicado pela Fundação do Câncer faz um alerta urgente sobre os perigos do melanoma extrapele, tipo raro e agressivo de câncer que se manifesta fora do tecido cutâneo. A análise, baseada em dados hospitalares do Brasil, revela que essas lesões afetam áreas como olhos, mucosas e órgãos internos, exigindo atenção para o diagnóstico precoce.

Apesar de menos comum, a doença extracutânea apresenta alto potencial de metástase, disseminando-se rapidamente para tecidos vizinhos. O estudo destaca que compreender o comportamento dessas neoplasias é essencial para formular políticas públicas e orientar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Desafios no tratamento e diagnóstico

De acordo com o médico Alfredo Scaff, coordenador do boletim, o combate eficaz envolve ações integradas de prevenção e agilidade terapêutica. A cirurgia de remoção da lesão e dos gânglios linfáticos segue como conduta padrão na rede pública, representando a maioria das abordagens iniciais no país.

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Dados entre 2014 e 2023 mostram que a cirurgia respondeu por 84,7% dos tratamentos iniciais de melanomas no Brasil. A Região Sudeste liderou o índice com 89,6%, enquanto a Região Norte registrou a menor taxa, com 64,4% dos procedimentos.

A pesquisa também revelou barreiras regionais de acesso. Enquanto a maioria dos pacientes realiza o tratamento na região onde mora, no Centro-Oeste mais de 20% das pessoas precisam se deslocar para outras localidades em busca de assistência especializada.

Avanços com imunoterapia e entraves financeiros

A introdução de medicamentos imunoterápicos, como os agentes anti-PD-1, revolucionou o prognóstico da doença avançada. Estudos apontam que a taxa de resposta clínica saltou de menos de 10% na quimioterapia para até 70% com a imunoterapia.

No entanto, o alto custo dos remédios permanece como o principal obstáculo para a ampliação do acesso no SUS. Especialistas defendem a compra centralizada pelo Ministério da Saúde e parcerias com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde para reduzir preços.

O coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, ressalta que novas tecnologias dependem de avaliações rigorosas de eficácia e custo-efetividade. Além disso, no caso do tumor extracutâneo, as evidências para uso de imunoterapia ainda são escassas.

Incidência do melanoma ocular e cutâneo

Entre os diagnósticos de tumores fora da pele registrados no Brasil, os olhos respondem por 75% das ocorrências. Essa forma ocular pode evoluir de forma assintomática no início, provocando sintomas inespecíficos como visão embaçada, manchas visuais e flashes luminosos.

Já o tumor cutâneo, associado principalmente à radiação ultravioleta, deve atingir 9.360 novos casos no país este ano, segundo projeções do Inca. A Região Sul apresenta a maior taxa de incidência proporcional nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil
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