A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Bioenergia Brasil manifestaram-se recentemente para contestar as alegações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e a proposta de uma nova tarifa de 25% sobre as importações brasileiras. As entidades rechaçam a ideia de que o Brasil adota práticas comerciais desleais, especialmente no que tange ao acesso de etanol estrangeiro ao mercado nacional.

Em comunicado oficial, Unica e Bioenergia Brasil salientaram que a tributação imposta pelo Brasil ao etanol importado não é exclusiva para os Estados Unidos. Pelo contrário, ela está em conformidade com as diretrizes da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, um bloco econômico regional que estabelece regras comerciais para seus membros.

As entidades brasileiras também trouxeram à tona a política protecionista de Washington em relação ao açúcar. Há décadas, os Estados Unidos mantêm um sistema de tarifas e cotas que restringe drasticamente o volume de açúcar brasileiro que pode entrar em seu mercado, limitando-o a menos de 1% das exportações totais do Brasil.

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A manifestação das organizações brasileiras surge em um cenário onde o governo dos Estados Unidos planeja implementar uma tarifa punitiva de 25% sobre produtos importados do Brasil. Essa medida é justificada por Washington sob a alegação de que certas práticas comerciais brasileiras seriam consideradas desleais.

A base para essa possível sanção é uma investigação conduzida pelo USTR, que concluiu que políticas e práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e capazes de “onerar ou restringir” o comércio norte-americano. Embora o texto original mencione julho de 2025, a conclusão da investigação é o ponto central para a atual proposta.

O escopo da investigação do USTR abrangeu diversas áreas, incluindo comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos (como o Pix), concessão de tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

De acordo com o USTR, essas práticas gerariam prejuízos significativos para empresas e exportações dos EUA, o que poderia levar o Brasil a enfrentar severas punições comerciais como retaliação.

A importância estratégica do etanol brasileiro

Em sua nota, as entidades brasileiras fizeram questão de enfatizar o papel crucial do etanol produzido no país na agenda global de transição energética. Elas destacam que o biocombustível é uma das soluções mais eficazes para a descarbonização dos transportes.

O etanol brasileiro é globalmente reconhecido por sua baixa intensidade de carbono, critérios rigorosos de sustentabilidade e contribuição efetiva para a redução das emissões de gases de efeito estufa. É um combustível que se alinha perfeitamente com as principais metas internacionais de transição energética, segurança e desenvolvimento sustentável.

Finalmente, Unica e Bioenergia Brasil defenderam que quaisquer “divergências comerciais” sejam resolvidas através do diálogo construtivo e da negociação. O objetivo é preservar a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, uma parceria histórica e de grande relevância para ambas as nações.

As entidades expressaram confiança de que o governo brasileiro conduzirá este processo com a devida responsabilidade, firmeza e competência diplomática, sempre em defesa dos interesses estratégicos do país.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil