O Brasil registrou uma forte deflação do IPCA em agosto, com o índice fechando em -0,32%, impulsionado pelo desconto do Bônus de Itaipu nas contas de luz e pela queda nos preços de alimentos e transportes. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo IBGE e mostram o menor patamar para o indicador desde agosto de 2022.
Esse resultado representa um recuo expressivo em relação a julho, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia registrado alta de 0,07%. Com a variação de agosto, o índice acumulado em 12 meses desacelerou para 4,22%, aproximando-se do teto da meta estabelecida pelo governo.
O recuo superou as projeções do mercado financeiro. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última terça-feira (8), a expectativa dos analistas era de uma deflação de -0,23% para o período. A meta de inflação perseguida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de até 4,5%.
Principais impactos no resultado
Dos nove grupos de produtos e serviços avaliados pelo IBGE, quatro apresentaram queda de preços em agosto. O destaque absoluto ficou com o grupo de habitação, que registrou recuo de 1,87%, representando a deflação mais acentuada para o setor desde o início do Plano Real, em 1994.
Essa forte retração foi provocada diretamente pelo Bônus de Itaipu. O benefício consiste no repasse de saldos positivos da hidrelétrica estatal, gerando um desconto médio de 7,63% na conta de energia residencial dos consumidores e aliviando o orçamento doméstico.
Alimentos e transportes também recuam
O grupo de alimentação e bebidas registrou sua terceira queda mensal consecutiva, recuando 0,34%. Itens essenciais na mesa dos brasileiros apresentaram reduções expressivas, como a batata-inglesa (-19,89%), a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%) e o tomate (-10,94%). Os transportes também ajudaram a puxar o índice para baixo, com queda de 0,86%.
O IPCA avalia o custo de vida de famílias que ganham entre um e 40 salários mínimos. O levantamento abrange 377 produtos e serviços pesquisados em diversas capitais e regiões metropolitanas do país, servindo como termômetro oficial da economia brasileira.
