Os saques na caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 10,5 bilhões durante o mês de agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira. O movimento de perda líquida reflete a busca dos investidores por opções com rendimentos mais atrativos no mercado financeiro nacional.
Balanço das movimentações
Ao longo do mês passado, os brasileiros aplicaram R$ 357,7 bilhões na caderneta, enquanto as retiradas somaram R$ 368,2 bilhões. No mesmo período, os rendimentos creditados totalizaram R$ 6,5 bilhões, preservando o estoque total da aplicação pouco acima de R$ 1 trilhão.
Este é o terceiro mês consecutivo em que as saídas superam as entradas. No acumulado até agosto, a modalidade registra um saldo negativo de R$ 57,1 bilhões em retiradas líquidas, dando continuidade ao fluxo observado nos anos anteriores.
Impacto da taxa de juros
A persistência das retiradas está diretamente ligada à manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. Fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 14% ao ano, a Selic encarece o crédito e favorece alternativas de investimento em renda fixa de maior rentabilidade.
O índice de juros é o principal mecanismo do BC para conter a inflação oficial, medida pelo IPCA. Apesar de a inflação ter recuado para 0,07% em julho, conflitos geopolíticos no Oriente Médio continuam gerando pressão sobre os custos de combustíveis e alimentos, dificultando novos cortes na taxa.
