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Por décadas, o Zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi um dos principais espaços de lazer e educação ambiental de Cuiabá. Frequentado por famílias, estudantes e visitantes de diversas cidades, o local marcou gerações de cuiabanos que tiveram ali um dos primeiros contatos com animais silvestres da fauna brasileira.
No entanto, o espaço deixou de receber visitantes em 2018 e nunca mais reabriu as portas ao público. Desde então, a antiga área do zoológico passou por uma transformação silenciosa, deixando de exercer a função recreativa para assumir um papel voltado à conservação, pesquisa e recuperação de animais silvestres.
O fechamento ocorreu após anos de dificuldades estruturais. Em 2015, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apontou a necessidade de adequações para que o espaço atendesse às normas de manejo e bem-estar animal. As exigências não foram plenamente cumpridas e o zoológico acabou encerrando as atividades de visitação.
À época, a população de animais chegou a cerca de dois mil indivíduos. A maior parte deles foi transferida para zoológicos, santuários e instituições especializadas em diferentes regiões do país. Apenas uma parcela permaneceu na universidade.
Em 2019, o local voltou a ganhar repercussão após a confirmação de casos de febre amarela em primatas encontrados no campus da UFMT. Embora os animais não fossem responsáveis pela transmissão da doença, o episódio ampliou as preocupações sanitárias e reforçou o cenário de incertezas sobre o futuro do zoológico.
Atualmente, a área abriga atividades ligadas ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (Cempas) e ao Hospital Veterinário da UFMT. O foco passou a ser o atendimento, recuperação, pesquisa e monitoramento de animais silvestres resgatados de situações como tráfico, atropelamentos, queimadas e outras ocorrências ambientais.
A UFMT formalizou um acordo de cooperação técnica com o Ibama para fortalecer as ações de resgate, reabilitação e destinação de fauna silvestre acolhida pelo Cempas. A parceria busca ampliar a capacidade de atendimento aos animais, especialmente diante da ausência de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Mato Grosso.
O acordo também prevê apoio à resposta durante o período de incêndios florestais no Pantanal, além de incentivar pesquisas relacionadas à biodiversidade e às mudanças climáticas.
Apesar da nova vocação do espaço, o antigo zoológico ainda desperta nostalgia entre moradores da Capital. Imagens das antigas estruturas tomadas pela vegetação costumam circular nas redes sociais, acompanhadas de lembranças de quem frequentou o local durante a infância.
Hoje, Cuiabá é apontada como a única capital brasileira sem um zoológico em funcionamento aberto à visitação pública. Enquanto isso, a área da UFMT segue dedicada à recuperação e ao cuidado de animais silvestres, consolidando uma nova função para um espaço que marcou a história da cidade.