O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) marcou para o dia 25 de setembro o julgamento que definirá a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Master. O colegiado vai avaliar se as citações ao chefe da PGR em mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro comprometem sua isenção para conduzir as investigações.
A análise interna foi motivada por uma representação de parlamentares do partido Novo. Os deputados solicitaram formalmente o afastamento de Gonet do inquérito. No entanto, o procedimento não se trata de um processo administrativo disciplinar, o que significa que o procurador-geral não corre o risco de sofrer punições funcionais.
Defesa nega relação com ex-banqueiro
Em manifestação enviada ao conselho, Gonet rechaçou qualquer proximidade com o empresário. O procurador-geral assegurou de forma categórica que não possui laços de amizade com Vorcaro, tampouco qualquer interesse de caráter pessoal nos processos que envolvem o antigo controlador do Banco Master.
Durante uma sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet detalhou que seu único contato com o investigado ocorreu de maneira rápida e fortuita em Londres. O encontro aconteceu durante um evento jurídico internacional patrocinado pela instituição financeira, do qual o PGR afirmou desconhecer previamente a lista de apoiadores.
A defesa técnica reforçou ainda que as perícias realizadas no telefone celular de Vorcaro não apontaram nenhuma linha de comunicação direta com Gonet. A investigação, batizada de Operação Compliance Zero, apura supostos esquemas de corrupção ativa e fraudes financeiras de grande escala atribuídas ao ex-banqueiro.
Os indícios que geraram o questionamento surgiram em relatórios da Polícia Federal. Os investigadores interceptaram diálogos de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, nos quais o empresário afirmava que não seria possível reverter determinada situação com "Paulo e Andrei".
Para a Polícia Federal, os nomes citados referem-se a Paulo Gonet e a Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação. O nome do procurador-geral também foi identificado em comunicações mantidas entre o ex-banqueiro e o advogado Ciro Soares, o que motivou o pedido de esclarecimento pelo colegiado do MPF.
