O excesso de chuvas nas últimas semanas em Sorriso e em diversas regiões de Mato Grosso já começa a causar prejuízos significativos aos produtores rurais, especialmente àqueles que realizaram o plantio tardio ou que ainda não conseguiram concluir a colheita.

Produtores relatam que áreas com soja já madura permanecem expostas à umidade constante, o que tem provocado um fenômeno preocupante: a germinação da semente ainda no pé. Em registros feitos no campo, é possível observar grãos brotando dentro das próprias vagens, além de estruturas apodrecidas e comprometidas pela ação prolongada da umidade.

Esse processo ocorre quando a soja atinge o ponto de maturação, mas não é colhida a tempo devido às chuvas frequentes. A umidade elevada cria condições ideais para que a semente inicie o processo de germinação ainda presa à planta, tornando o grão impróprio para comercialização dentro dos padrões exigidos.

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Além da germinação precoce, outro problema recorrente é a chamada “soja ardida”, caracterizada por grãos escurecidos e deteriorados, resultado da ação de fungos e da fermentação causada pela exposição prolongada à água. Essa condição reduz significativamente o valor do produto, podendo gerar descontos severos ou até a recusa da carga pelas unidades compradoras.

O impacto econômico preocupa produtores, já que Mato Grosso é o maior produtor de soja do país, e Sorriso ocupa posição de destaque como um dos principais polos agrícolas do mundo.

Outro fator agravante é a dificuldade de acesso das máquinas às lavouras. O solo encharcado impede a entrada das colheitadeiras em diversas áreas, prolongando ainda mais o tempo de exposição das plantas maduras às condições climáticas adversas.

Especialistas alertam que, quanto maior o período em que a soja permanece no campo após atingir o ponto ideal de colheita, maiores são os riscos de perdas tanto em qualidade quanto em produtividade.

Apesar dos desafios, produtores seguem monitorando as condições climáticas e aguardam janelas de tempo seco para avançar com a colheita e reduzir os prejuízos.

FONTE/CRÉDITOS: JK NOTÍCIAS