A baixa adesão à vacinação infantil contra a covid-19 atinge níveis alarmantes no Brasil, onde apenas 5% das crianças pequenas receberam o esquema vacinal completo de três doses, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI). O Ministério da Saúde alerta que a desinformação sobre os imunizantes tem provocado internações e mortes evitáveis entre bebês e jovens no país neste ano.
O diretor do PNI, Eder Gatti, garantiu que há estoques suficientes e contratos ativos para o abastecimento. No entanto, ele atribui o percentual crítico aos frequentes ataques à ciência promovidos durante a pandemia, inclusive por integrantes do governo anterior, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mesmo sendo recomendada no calendário básico para bebês de 6, 7 e 9 meses — com aplicação permitida até os 5 anos —, a dose é recusada por muitas famílias devido a relatos falsos espalhados na internet.
Como consequência dessa hesitação, mais de 1,1 mil crianças menores de 14 anos foram internadas com quadros respiratórios graves motivados pelo coronavírus neste ano, resultando na morte de 25 pacientes, sendo 15 bebês com menos de 2 anos.
Em entrevista à Agência Brasil, Gatti destacou que a desinformação é um obstáculo global. Segundo ele, o desincentivo da população gera descarte de vacinas com prazos de validade reduzidos após o descongelamento dos frascos, prejuízo que deve ser creditado ao discurso antivacina.
Vacina é monitorada e segura
A vacinação de crianças contra a covid-19 começou no país em janeiro de 2022, após aval da Anvisa. Pesquisas da Universidade de São Paulo comprovam que a vacina reduziu em 97% os casos graves infantis, desmistificando o receio de reações adversas graves, que raramente ocorrem.
Com mais de 6 milhões de doses aplicadas no público infantil, 92% das reações notificadas foram leves, como febre local. O Ministério da Saúde reforça que complicações sérias, como miocardite, são infinitamente mais frequentes em decorrência da própria infecção do que pelo imunizante.
A vacina contra a covid-19 é atualmente uma das mais estudadas da história da medicina, contando com mais de 20 mil artigos científicos publicados sobre sua segurança e eficácia em todo o mundo.
Balanço e avanços do PNI
Apesar dos percalços com o coronavírus, o orçamento do PNI quase dobrou, aproximando-se de R$ 10 bilhões. O programa conseguiu recuperar a cobertura de outras vacinas do calendário infantil por meio de estoques regulares e estratégias de microplanejamento municipal.
Inovações recentes também trouxeram resultados positivos, como a redução de 50% nos casos de bronquiolite em bebês após a vacinação de gestantes, além do avanço na imunização contra a dengue e da substituição do imunizante pneumocócico para a versão VPC20.