A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota pública nesta quarta-feira (9) cobrando moderação de agentes públicos diante da atipicidade e escalada da crise no STF. O posicionamento ocorre após o agravamento do clima institucional que envolve os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
No documento, a ANPR convoca todos os envolvidos a atuarem com serenidade e estrito respeito à legalidade. A entidade ressaltou a confiança nas instituições e na capacidade democrática do país de superar divergências por meio de mecanismos próprios construídos ao longo de décadas.
A manifestação surge como resposta direta ao aumento da tensão que resultou no recente afastamento e rápida reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A associação reforçou que preservar a autoridade das instituições é fundamental para garantir a ordem democrática e proteger os direitos dos cidadãos.
Maior entidade representativa da categoria, a ANPR reúne cerca de mil procuradores da República e é responsável por elaborar a lista tríplice enviada ao Poder Executivo para a escolha do procurador-geral da República. A instituição enfatizou que a história recente demonstra a força do Brasil em se autocorrigir pelas vias legais e do diálogo.
Entenda a crise
O embate institucional começou na semana passada com a divulgação de relatórios parciais da Operação Compliance Zero pelo ministro André Mendonça. A investigação apura um esquema de corrupção e fraudes financeiras bilionárias ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.
Entre os documentos tornados públicos, constam 52 mensagens do telefone de Vorcaro com menções indiretas a pedidos de proteção direcionados a 'Andrei' e 'Paulo', que seriam referências a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Registros também sugerem envios de mensagens a Alexandre de Moraes, embora o ministro negue veementemente qualquer contato com o investigado.
Em reação à divulgação, o procurador-geral Paulo Gonet solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, a anulação das provas divulgadas por Mendonça. Gonet sustenta que o relator agiu de forma irregular ao avançar na apuração contra um par sem autorização prévia do plenário da Corte.
