A cerca de dois meses das Eleições 2026, a urna eletrônica passa por cerca de 40 etapas de fiscalização e auditoria conduzidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assegurar a integridade do pleito no Brasil.
De acordo com Júlio Valente, secretário de Tecnologia da Informação do TSE, o sistema de votação nacional figura entre os mais auditáveis do planeta, sem qualquer registro comprovado de inconsistência ou fraude desde sua implementação em 1996.
"Acima de qualquer argumento técnico, nenhum se sobrepõe ao fato de que não temos, desde 1996, nenhum caso comprovado de fraude nas urnas eletrônicas", destacou o secretário.
Teste Público de Segurança
Entre os mecanismos de controle está o Teste Público de Segurança (TPS), realizado no ano anterior ao pleito. O procedimento autoriza qualquer cidadão brasileiro maior de 18 anos a submeter planos de ataque aos sistemas operacionais para identificar eventuais falhas.
Valente ressaltou que a participação é aberta a todos, não exigindo especialização técnica prévia. "O teste público democratiza a possibilidade de validar a segurança do processo eleitoral", ponderou o especialista.
Na hipótese de identificação de vulnerabilidades, a equipe do TSE atua na correção dos pontos críticos. Posteriormente, os próprios investigadores retornam à Corte para homologar as soluções implementadas antes da eleição.
Com oito edições realizadas até o momento, o TPS gerou melhorias contínuas nos softwares da Justiça Eleitoral, transferindo parte da responsabilidade do controle para a própria sociedade civil.
Abertura do código-fonte
Em paralelo, o TSE disponibiliza o código-fonte das urnas para inspeção por órgãos e entidades credenciadas com um ano de antecedência. Todas as linhas de programação ficam acessíveis para verificação.
"Não existe absolutamente nenhuma linha do código-fonte que seja escondida, secreta ou que não seja compartilhada com essas instituições", explicou Valente.
Entre os organismos autorizados à auditoria estão o Congresso Nacional, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Polícia Federal, universidades e partidos políticos.
Contexto diplomático e monitoramento
Em desdobramento recente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) negou visto a dois diplomatas do governo norte-americano. O Itamaraty justificou a decisão ao identificar intenção do Departamento de Estado dos EUA de enviar técnicos para monitorar o sistema eletrônico.
Enquanto veículos internacionais apontavam tentativa de colocar em dúvida a segurança das urnas, o governo dos EUA negou a intenção. Diante disso, o TSE agendou reunião diplomática para detalhar o funcionamento das urnas a embaixadores estrangeiros.