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Quarta-feira, 19 de Agosto 2026
Política

SUS pode incluir novo remédio injetável contra HIV até o fim do ano

A avaliação do carbotegravir será enviada à Conitec pelo Ministério da Saúde, prometendo facilitar a adesão ao tratamento preventivo no país.

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Por Pagina1mt
SUS pode incluir novo remédio injetável contra HIV até o fim do ano
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Sistema Único de Saúde (SUS) pode disponibilizar ainda em 2024 um novo remédio injetável contra HIV para a profilaxia pré-exposição (PrEP). A novidade é o carbotegravir, um medicamento de ação prolongada que exige aplicações a cada dois meses e atua impedindo a replicação do vírus do HIV no organismo.

A proposta de incorporação será submetida pelo Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) na próxima semana. Cabe a esse colegiado independente analisar a relação entre custo e benefício de novas terapias antes de autorizar a entrada na rede pública.

Embora o parecer da Conitec seja opinativo, a palavra final cabe ao Ministério da Saúde. O ministro Alexandre Padilha afirmou que o governo negocia com a farmacêutica GSK, detentora do carbotegravir, o valor final e o volume de doses, destacando que a empresa apresentou uma proposta com preço razoável.

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Durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, o ministro ressaltou que o Brasil apoia inovações de proteção contínua, mas exige valores adequados e viáveis para a sustentabilidade do sistema público, rejeitando cobranças abusivas.

Lenacapavir

A escolha do carbotegravir considerou fatores econômicos cruciais. Segundo Padilha, a alternativa lenacapavir, que oferece imunidade estendida por seis meses, teve uma oferta com custo financeiro inviável para os cofres públicos.

O ministro destacou que o Brasil se dispôs a pagar até dez vezes mais do que o valor proposto para nações como Tailândia e Indonésia. No entanto, diante da recusa do fabricante, o governo optou por não comprometer os recursos do contribuinte.

Mesmo tendo sediado testes clínicos da droga, o Brasil não integrou o acordo de licenciamento voluntário assinado pela farmacêutica Gilead. Essa iniciativa liberou seis fabricantes a produzirem genéricos do lenacapavir para atender a 120 países em desenvolvimento.

Entidades internacionais, como o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), criticaram a restrição. A instituição aponta que a ampla distribuição do lenacapavir é fundamental no combate global à epidemia de Aids.

Em nota oficial, a Gilead informou buscar caminhos sustentáveis para expandir a distribuição na América Latina. A farmacêutica ressaltou que o Brasil é prioritário para parcerias fabris, citando um memorando firmado com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para futura transferência de tecnologia.

PrEP oral

Atualmente, o SUS já disponibiliza a PrEP em comprimidos de uso diário, benefício que alcançou mais de 350 mil pessoas no país. Apesar da eficácia demonstrada pela versão oral, a fórmula injetável garante maior facilidade na continuidade do tratamento.

Um levantamento realizado pela Fiocruz com 1,4 mil voluntários em seis cidades revelou que 83% dos participantes preferem a aplicação injetável. Além disso, 94% mantiveram o calendário em dia, e nenhum usuário foi infectado.

Estudos do mundo real conduzidos pelas empresas ViiV Healthcare e GSK também confirmaram a alta efetividade do carbotegravir, registrando uma taxa de infecção anual de apenas 0,1% entre os usuários avaliados.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
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