O corte na Selic de 0,25 ponto percentual, anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira (16), reduzindo a taxa básica para 13,75% ao ano, foi classificado como tímido e insuficiente por entidades da indústria e representantes dos trabalhadores, que alertam para a permanência de um cenário financeiro sufocante no país.
Após a quinta redução consecutiva decidida pelo Banco Central, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a postura cautelosa do órgão. Para a entidade, o abrandamento da inflação acumulada — que atingiu 4,22% em 12 meses até agosto — justificaria um ritmo de queda mais acelerado.
Ricardo Alban, presidente da CNI, reforçou que a manutenção de juros altos por tempo prolongado impõe custos desnecessários à economia. A confederação pondera que, mesmo com a redução, a taxa real de juros permanece em cerca de 9%, bem acima da taxa neutra de 5% estimada pelo próprio Banco Central.
No setor trabalhista, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) avaliou o movimento como positivo, porém limitado. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de SP e diretora da CUT, ressaltou que a desaceleração nos preços exige um alívio mais contundente do crédito para estimular empregos e investimentos.
Por sua vez, a Força Sindical tratou a decisão como um “balde de água fria” para as expectativas do quarto trimestre. A entidade criticou a concentração de renda gerada pelos juros elevados e apontou prejuízos diretos ao consumo das famílias e à confiança dos empresários.
Indústria da Construção
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também considerou o recuo aquém do necessário. O presidente da CBIC, Eduardo Almeida, destacou que juros em dois dígitos desde 2022 trazem desafios severos para negócios de longo prazo, demandando previsibilidade e ambiente macroeconômico estável para a retomada do setor.
