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A Vibra Energia, responsável pela operação de postos de combustíveis que ainda ostentam a marca Petrobras, comunicou sua intenção de aderir em abril ao plano de subvenção para o óleo diesel, iniciativa do governo federal com o objetivo de estabilizar a escalada de preços deste derivado de petróleo.
A incorporação da Vibra, que gerencia aproximadamente 8 mil postos de combustível em território nacional, confere maior abrangência ao programa, lançado inicialmente em 12 de março. Anteriormente, as três maiores redes revendedoras haviam optado por não participar. Além da Vibra, a Raízen (responsável pelos postos Shell) e a Ipiranga também haviam recusado o benefício da subvenção.
Em comunicado oficial, a Vibra detalhou que está examinando os aspectos técnicos e mantendo um canal de comunicação com o governo e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o órgão regulador do setor. O objetivo é “esclarecer e ajustar pontos cruciais para que, futuramente, a subvenção possa ser requisitada em total conformidade com seus princípios de governança e otimização logística”.
A empresa reforçou seu “apoio a iniciativas que promovam a estabilidade do mercado interno, visando mitigar os efeitos negativos sobre o consumidor final e os setores produtivos do país”.
Ex-BR Distribuidora
A Vibra Energia é a companhia que emergiu do processo de privatização da antiga BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. O processo teve início em 2019 e foi concluído em 2021. A Vibra detém o direito de utilizar a marca Petrobras em seus pontos de venda até o ano de 2029.
Dados recentes divulgados pela ANP indicam que a empresa detém a liderança no mercado de óleo diesel no Brasil, com uma participação de 21,24%. Na sequência, aparecem a Ipiranga, com 17,72%, e a Raízen, com 17,34%.
Subvenção
O programa de subsídio foi implementado em 12 de março, oferecendo um incentivo de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores de diesel que comercializassem o produto por um valor inferior ao estipulado pela ANP.
No dia 6 do mês corrente, o governo expandiu o escopo da subvenção, adicionando R$ 1,20 por litro para a importação de diesel. Neste cenário, os estados compartilhariam os custos da medida com a União. O benefício, com duração inicial de dois meses, tem potencial para atingir R$ 4 bilhões.
Adicionalmente, foi anunciada uma subvenção complementar de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com um custo estimado de R$ 3 bilhões mensais.
Em ambas as modalidades, as empresas participantes são obrigadas a repassar a redução de custo para o consumidor final.
A ANP mantém uma tabela atualizada com os preços de referência para o óleo diesel, servindo como parâmetro para monitorar os valores praticados pelos beneficiários do programa de subvenção.
Para os importadores, por exemplo, o preço de venda permitido varia entre R$ 5,51 e R$ 5,75, dependendo da localidade no país.
A informação mais recente da ANP revela que nove entidades, incluindo importadores, distribuidores e produtores, já aderiram ao programa. Entre elas estão a Petrobras e a Refinaria de Mataripe, na Bahia, que figura como a segunda maior refinaria do país, atrás apenas da Refinaria de Paulínia, em São Paulo, pertencente à Petrobras.
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Impacto do conflito no Oriente Médio
O encarecimento dos derivados de petróleo, com destaque para o óleo diesel, foi diretamente influenciado pelo conflito em curso no Oriente Médio. Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ações militares contra o Irã.
Dada a concentração de países produtores de petróleo e de rotas logísticas cruciais na região, como o Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, a produção e o transporte de petróleo foram impactados, resultando em uma redução na oferta global. Essa dinâmica provocou um aumento expressivo no preço do barril.
No Brasil, o impacto imediato foi sentido no preço do diesel, uma vez que cerca de 30% do consumo nacional é suprido pelo mercado internacional.
Inflação oficial
O aumento nos preços dos combustíveis foi refletido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação no país, divulgado nesta sexta-feira (10).
A inflação registrada em março foi de 0,88%, impulsionada primordialmente pelo segmento de transportes. Especificamente, os combustíveis apresentaram uma alta de 4,47%. A gasolina, que havia subido 0,61% em fevereiro, registrou um aumento de 4,59% em março. O diesel, por sua vez, passou de um acréscimo de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março.