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A projeção do setor financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial da inflação brasileira, foi ajustada de 4,31% para 4,36% no presente ano. Essa estimativa consta no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC), que compila as expectativas de diversas instituições financeiras sobre os principais índices econômicos.
O aumento da projeção inflacionária, que ocorre pela quarta semana consecutiva, reflete as incertezas decorrentes do conflito no Oriente Médio. Apesar da revisão para cima, o valor ainda permanece dentro da faixa de tolerância estabelecida para a meta de inflação do Banco Central.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta central para a inflação é de 3%, permitindo uma variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o piso é de 1,5% e o teto, de 4,5%.
No mês de fevereiro, o IPCA oficial registrou alta de 0,7%, impulsionado principalmente pelos setores de transportes e educação, representando uma aceleração em comparação aos 0,33% observados em janeiro. Contudo, o índice acumulado nos últimos 12 meses apresentou uma desaceleração, atingindo 3,81%, o que o posiciona abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Os dados referentes à inflação de março, que já podem refletir os potenciais efeitos do conflito no Oriente Médio, serão publicados na próxima quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para os anos seguintes, a expectativa para a inflação também foi ajustada: em 2027, a projeção elevou-se de 3,84% para 3,85%. Já para 2028 e 2029, as previsões se mantêm em 3,6% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
Com o objetivo de atingir a meta inflacionária, o Banco Central emprega a taxa Selic, o principal instrumento de política monetária, atualmente fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Em sua reunião mais recente, realizada no mês anterior, o comitê decidiu por unanimidade cortar a Selic em 0,25 ponto percentual. Contudo, antes da intensificação do conflito no Irã, a maioria dos analistas esperava uma redução mais expressiva, de 0,5 ponto.
A taxa Selic, que chegou a 15% ao ano, alcançou seu patamar mais elevado desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, houve sete aumentos consecutivos, seguidos por quatro reuniões sem alterações.
Após um período estendido de estabilidade da taxa, havia sinais de que um ciclo de cortes seria iniciado. No entanto, frente às incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, o BC pondera a possibilidade de reavaliar essa trajetória de queda, se a situação exigir.
A próxima reunião do Copom, destinada a deliberar sobre o patamar da Selic, está agendada para os dias 28 e 29 de abril.
Para o Boletim Focus atual, os especialistas do mercado mantiveram a projeção para a taxa básica de juros em 12,5% ao ano até o final de 2026. As expectativas para 2027 e 2028 indicam uma redução da Selic para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente, com a taxa alcançando 9,75% ao ano em 2029.
Quando o Copom opta por elevar a Selic, o objetivo é frear uma demanda excessiva, o que impacta os preços. Juros mais elevados tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança, podendo, por sua vez, dificultar o crescimento econômico.
Adicionalmente, as instituições bancárias levam em conta outros elementos ao estabelecer as taxas de juros para os consumidores, como o risco de calote, a margem de lucro e os custos administrativos.
Por outro lado, a diminuição da Taxa Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo. Esse movimento, embora possa reduzir o controle direto sobre a inflação, visa impulsionar a atividade econômica.
PIB e câmbio
A projeção das instituições financeiras para a expansão da economia brasileira neste ano, conforme o boletim mais recente do Banco Central, manteve-se em 1,85%.
Para 2027, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a totalidade de bens e serviços gerados no país, foi fixada em 1,8%. Já para os anos de 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê um crescimento do PIB de 2% em ambos os períodos.
Em 2025, a economia do Brasil registrou um crescimento de 2,3%, segundo dados do IBGE. Esse resultado, impulsionado pela expansão em todos os setores e com notável desempenho da agropecuária, marca o quinto ano consecutivo de alta.
Ainda nesta edição do Focus, a projeção para a cotação do dólar ao final do ano corrente é de R$ 5,40. Para o encerramento de 2027, a expectativa é que a moeda norte-americana esteja em R$ 5,45.