O Ministério Público da Bolívia determinou a prisão do ex-presidente Evo Morales, acusado de liderar os protestos que paralisaram o país por mais de 50 dias entre maio e junho deste ano. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (29) e amplia a pressão judicial sobre o ex-chefe de Estado, que também responde a outros processos no país.
Segundo a Procuradoria boliviana, Morales é investigado pelos crimes de insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, terrorismo, atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação criminosa, instigação pública à prática de crimes e atentado contra a prestação de serviços públicos. As acusações estão relacionadas aos bloqueios de rodovias e manifestações que provocaram uma grave crise de abastecimento e afetaram a economia boliviana durante quase dois meses.
A ordem de prisão foi confirmada pelo procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca. A investigação sustenta que o ex-presidente teve papel central na organização e no incentivo às mobilizações que interromperam o transporte de mercadorias e pessoas em diversas regiões do país.
Em resposta, Evo Morales classificou a medida como perseguição política. Em publicação nas redes sociais, o ex-presidente afirmou que o governo tenta responsabilizá-lo pelos protestos para desviar a atenção da crise econômica e social enfrentada pela Bolívia.
"Buscam nos responsabilizar pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social", declarou o ex-presidente.
A nova ordem de prisão ocorre em meio ao acirramento da disputa política interna no país, marcada pelo rompimento entre Evo Morales e antigos aliados do Movimento ao Socialismo (MAS). Nos últimos anos, a relação entre Morales e o governo boliviano deteriorou-se em meio a disputas pelo controle da legenda e pela sucessão presidencial.
Caso seja detido, Evo Morales poderá responder às acusações perante a Justiça boliviana. Até o momento, a defesa do ex-presidente não informou se irá recorrer da decisão judicial.