A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (2) a segunda descoberta de petróleo de excelente qualidade no poço Morpho, situado na bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa do Amapá. A constatação em águas ultraprofundas consolida as expectativas da estatal quanto à abertura de uma promissora fronteira exploratória para mitigar o futuro déficit de produção do país.
Identificado como 1-BRSA-1405-APS, o poço está localizado sob uma lâmina d’água de 2.886 metros. Segundo a presidente da empresa, Magda Chambriard, o óleo encontrado apresenta características de baixa viscosidade e alta leveza, atributos altamente valorizados pelo mercado global de refino.
Potencial energético e cronograma operacional
De acordo com estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a Bacia da Foz do Amazonas detém um volume potencial recuperável de até 10 bilhões de barris de óleo equivalente.
As operações atuais no Bloco FZA-M-59, autorizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), devem concluir seus testes técnicos até o final de outubro.
Em seguida, a sonda será redirecionada para a Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, onde perfurará o prospecto Mãe de Ouro em novembro. A Petrobras projeta retornar à Foz do Amazonas no primeiro trimestre de 2027 para perfurar três novos poços delimitadores e definir a viabilidade comercial do campo.
Resistência judicial e questões ambientais
Apesar dos avanços operacionais, o projeto enfrenta forte resistência jurídica. O Ministério Público Federal (MPF) acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) solicitando a paralisação imediata das atividades de perfuração na área offshore.
O órgão apontou incidentes recentes, como um vazamento de 18 mil litros de fluido químico registrado em janeiro, além da ausência de consultas prévias às populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).