O governo federal iniciou neste domingo (3) uma campanha nacional de grande alcance, visando o fim da escala de trabalho 6x1 sem qualquer diminuição salarial. A iniciativa busca primordialmente assegurar que milhões de trabalhadores brasileiros tenham mais tempo dedicado à vida pessoal, incluindo momentos com a família, lazer, cultura e descanso, além de uma jornada de trabalho mais equilibrada.

Estima-se que aproximadamente 37 milhões de indivíduos no mercado de trabalho possam ser diretamente beneficiados por essa mudança na legislação.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) destacou a relevância da medida, comparando-a à isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil mensais, que impactou cerca de 10 milhões de cidadãos. A Secom ressalta que a garantia de um período adequado de descanso pode gerar um impacto econômico positivo, alinhando-se a uma perspectiva contemporânea de desenvolvimento que integra produtividade, bem-estar social e inclusão.

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A proposta governamental delineia um novo teto para a jornada de trabalho, fixando-o em 40 horas semanais, ao mesmo tempo em que mantém o limite de oito horas diárias, inclusive para aqueles em regimes de escala de trabalho diferenciados. Consequentemente, os trabalhadores terão garantidos dois dias de repouso semanal de 24 horas ininterruptas, idealmente concentrados nos sábados e domingos.

O formato de cinco dias de atividade laboral seguidos por dois dias de descanso poderá ser estabelecido por meio de negociação coletiva, considerando sempre as particularidades de cada setor e função.

Detalhes da campanha nacional

Com o impactante slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”, a campanha que busca o fim da escala 6x1 será amplamente divulgada. Sua veiculação ocorrerá em diversos canais, abrangendo mídias digitais, televisão, rádio, jornais, cinema e até mesmo na imprensa internacional.

A Secom enfatiza que o objetivo é sensibilizar tanto empregados quanto empregadores sobre a importância de reduzir a escala de trabalho. Essa medida é vista como uma forma de fortalecer o convívio familiar dos trabalhadores, valorizando não apenas o aspecto profissional, mas também a qualidade de vida fora do ambiente de trabalho.

O governo argumenta que essa alteração na jornada de trabalho está em sintonia com as recentes transformações econômicas, impulsionadas pelo avanço tecnológico e o aumento da produtividade. A Secom complementa, afirmando que "jornadas mais equilibradas contribuem para a diminuição de afastamentos, aprimoram o desempenho e reduzem a rotatividade de pessoal".

Em 14 de abril, o governo federal submeteu ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe alterações significativas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A iniciativa, que segue em regime de urgência constitucional, visa a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, assegurando dois dias de repouso remunerado e vetando qualquer corte salarial.

Essencialmente, o texto legislativo tem como efeito prático o fim da escala 6x1. Esta proposta tramita em conjunto com outras iniciativas similares no Congresso Nacional, que, por sua vez, instituiu uma comissão especial dedicada à análise de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) relacionada ao assunto.

O colegiado, formalmente instalado na última quarta-feira (29), tem a incumbência de examinar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que aborda a mesma temática. A presidência da comissão está a cargo do deputado Alencar Santana (PT-SP), enquanto a relatoria foi designada ao deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

Atuação e composição da comissão especial

Formada por 38 membros titulares e igual número de suplentes, a comissão dispõe de até 40 sessões para apresentar seu parecer final. O prazo para a submissão de emendas, por sua vez, terá início a partir de amanhã e se estenderá por 10 sessões.

O deputado Alencar Santana expressou que o cronograma para a análise da proposta é desafiador. Para otimizar o trabalho, o colegiado planeja conduzir, inicialmente, duas reuniões semanais, agendadas para terças e quartas-feiras, dedicadas ao debate da matéria.

O colegiado também examinará outras duas propostas de redução da jornada de trabalho. Uma delas, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sugere a diminuição de 44 para 36 horas semanais, com uma transição gradual ao longo de dez anos. A outra, a PEC 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), propõe uma escala de trabalho de quatro dias por semana, limitando-a a 36 horas no período.

Em essência, ambas as PECs visam o fim da escala de trabalho 6x1, que prevê seis dias de atividade para um de descanso. Caso recebam aprovação na comissão especial, as propostas seguirão para votação no plenário da Casa.

FONTE/CRÉDITOS: Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil