filme Dark Horse, que retrata os bastidores da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, virou alvo de denúncias feitas por profissionais que participaram das gravações em São Paulo. Os relatos envolvem agressão, atrasos salariais e condições precárias de trabalho.

As queixas vieram à tona meses antes de o longa entrar no centro da polêmica envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-CEO e dono do Banco Master. Segundo reportagem do Intercept Brasil, ele teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar a produção.

As denúncias dos profissionais foram reunidas em um dossiê aberto pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated-SP) em dezembro de 2025. Os casos aconteceram durante as filmagens realizadas entre outubro e novembro e foram divulgados inicialmente pela Revista Fórum.

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Um dos relatos, do ator Bruno Henrique, refere-se a uma suposta agressão por parte dos integrantes da equipe de segurança durante uma diária no Memorial da América Latina, em 21 de novembro. Segundo ele, o episódio aconteceu após entrar no set com o celular, item proibido pela produção. O artista alegou ainda que a equipe não oferecia um local seguro para guardar os aparelhos.

“O segurança deu um tapa na minha mão e veio para cima de mim para me dar um soco. Quase que eu caio lá de cima. Ele me deu um soco e, inclusive, eu fiz corpo de delito. Eu estava de óculos e, quando desci para pegar, ele me deu uma rasteira”, revelou.

O ator também relatou problemas relacionados a atrasos salariais e condições precárias nos bastidores. Segundo ele, figurantes teriam consumido alimentos impróprios para consumo, enquanto alguns profissionais ficaram impedidos de deixar o set por tantas horas que acabaram fazendo necessidades nas roupas.

O dossiê também aponta supostas irregularidades nas contratações. Em um áudio obtido pela revista, figurantes recebem a orientação de pagar R$ 10 pelo transporte até as gravações, quantia que seria descontada do cachê ou paga de forma antecipada.

A presidenta do Sated-SP, Rita Teles, afirmou que o volume de denúncias acende um alerta sobre o cumprimento das leis trabalhistas por produções internacionais no Brasil.

“É inadmissível a gente lidar com esse volume de denúncias de uma produção que vem de fora do país, não cumpre a legislação local, não apresenta os contratos de trabalho para o sindicato de artistas e de técnicos, e isso gera uma insegurança muito grande”, disse.

A empresa GoUp Entertainment, responsável pela produção no Brasil, foi procurada pelo Metrópoles, mas não se manifestou até a publicação desta matéria.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Cards - METROPOLES