A decisão do Congresso de aprovar o fim da escala 6x1 gerou reações divergentes entre centrais sindicais e entidades patronais nesta quinta-feira (15). Enquanto os sindicatos comemoram a mudança na jornada, o setor industrial cobra uma revisão urgente da proposta.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) saudou o fim da medida e a redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais. Em nota, a entidade classificou o modelo anterior como arcaico e cruel com os trabalhadores.
Por outro lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a alteração representa um retrocesso. O presidente da CNI, Ricardo Alban, pediu que o Congresso revise a aprovação da PEC 221/2019 para evitar impactos negativos na economia.
Segundo projeções da CNI, a mudança pode elevar os custos de produção em até R$ 267 bilhões. A estimativa aponta ainda uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) e uma inflação média de 6,2%.
Posicionamento favorável
A Força Sindical também celebrou a aprovação e destacou que o diálogo democrático garantiu a conquista. Para a entidade, mais tempo livre beneficia a saúde, o lazer e a convivência familiar dos empregados.
Miguel Torres, presidente da central, argumenta que experiências internacionais indicam que jornadas menores tendem a elevar a produtividade e gerar novos postos de trabalho no mercado.
Estudos do Ipea apontam que o impacto nos custos das empresas deve variar conforme o setor. O acréscimo estimado é de 1% no comércio e na indústria, podendo chegar a 6,6% em serviços de segurança e vigilância.
Reação do comércio
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) criticou o avanço da pauta durante o período eleitoral. Para o setor patronal, reformas estruturais exigem maior aprofundamento técnico.
O plenário concluiu a votação da matéria na noite de quarta-feira (14) com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, após articulação no Senado Federal.
Entenda a PEC
O texto aprovado estabelece o descanso remunerado de dois dias por semana, fixando o limite de 40 horas semanais. A transição total ocorrerá em 14 meses, dividida em etapas para adaptação das empresas.